Nossa convivência teve somente uma dúzia de anos. Começou nos encontros na Livraria Poty, depois no Sebo Vermelho e na Livraria Câmara Cascudo. Desde logo me afeiçoei a ele, pela sua humildade e boas tiradas nos poucos momentos que resolvia falar.
Formamos uma verdadeira Confraria e nos finais de ano nos reuníamos para uns comes e bebes. Ele nem bebia, nem comia muito - não dava prejuízo a ninguém.
Ultimamente estava faltando aos encontros e comentávamos que ele estava ficando fraco. As forças já não permitiam grandes caminhadas.
De repente, lendo o Jornal de WM do último dia 27 de agosto deparei-me com a notícia:
"Tempo de Palocha", onde o excelente articulista, em brilhante resumo, pintava o nosso querido amigo, com as tintas exatas de sua existência.
"Fecham-se as cortinas do Cineclube do Tirol, mas ouvem-se ain da as últimas notas da trilha sonora anunciando a partida de Paulo Francineti da Rocha, Palocha. Na segunda feira ele partiu para a última viagem e, lá em cima, numa visão bem cinemascope, se reencontrou com Moacy Cirne e outros doces loucos apaixonados pelo cinema. Palocha foi um dos fundadores do Cineclube Tirol, Natal do começo dos anos sessenta, o pessoal marcando ponto no Salão Paroquial da Igreja de Santa Terezinha, no Tirol. Eram exibidos ali os filmes raros, encontrados com dificuldades entre cinéfilos de paixão verdadeira, muitas dessas películas trazidas, como joias, além dos limites da província. Tempo dos 16 milímetros. O Cineclube Tirol passou a ser um marco no fazer cultural da cidade. Lá se viam poetas, escritores, artistas plásticos, músicos, amantes do cinema.
Palocha, discreto, simples, humilde, mas bem articulado, era um dos líderes do movimento. Figura singular na paisagem humana natalense, sabia ser ouvido, conquistava simpatia, fazia amigos."
O artigo de Woden não termina aqui, todos devem ler a sua respeitável coluna, pois somente a sensibilidade de um cronista da cidade é capaz de perceber que, entre pessoas humildes, também existem grandes personagens da nossa história.
Não ficou por menos a Cena Urbana do estimado e respeitado Vicente Serejo que, em sua coluna de 28 de agosto revelou "O sonho de Palocha" e também foi tomado de surpresa com a triste notícia (bateu no rosto como um soco).
"Nem lembrava mais que Paulo Francineti da Rocha era o seu nome completo. Pra quê, se ele gostava de ser só Palocha, numa simplicidade sem mágoa? Sabia exercer seu ofício de guardador de lembranças. Era sua grande nobreza, quase invisível, meio escondida naquele seu corpo franzino que parecia flutuar de tão leve. ... Sabia tudo de cinema sem aquele pedantismo tolo dos cinéfilos." ...
Seu sonho não se realizou - não tirou na mega-sena e não pôde comprar o o prédio do Rio Grande.
Agora a casinha da Av. Afonso Pena, 591 é só uma lembrança do seu habitante ilustre.
Certamente - outra Confraria está agora reunida. Além de Moacy Cirne, lembro Tarcísio Motta, o mais vexado a partir, depois o Embaixador (Fernando Abbott), o Acadêmico Pedro Vicente Costa Sobrinho, Dr. José Pinto, Alma do Vaqueiro (Francisco de Paula Medeiros), e agora ele.
Vai deixar saudade e órfãos os seus muitos amigos. Deus o proteja "ad perpetua memoria".
Dr. Carlos de Miranda Gomes.
sábado, 30 de agosto de 2014
sexta-feira, 18 de julho de 2014
" Uns contos
ordinários" é o novo livro que Cellina Muniz lança no dia 29 de julho, na
Capitania das Artes, às 19h. O livro reúne 11 histórias que a autora escreveu
desde que chegou a Natal, em 2010. Com várias referências sobre a cidade, Muniz
trata de temas como solidão, alucinação e paixão a partir de situações
flagradas do cotidiano de personagens demasiadamente humanos. Editado pelo selo
alternativo ED!BAR, o livro é enriquecido pelas ilustrações do cearense André
Dias e será vendido ao preço de 3 cervejas.
De Lirícos e de Loucos.. Que barato..
Lançado em 1980, como 12º volume da Coleção Edições Clima, De Líricos e de Loucos é um dos melhores livros de literatura norte-rio-grandense do século XX. Uma leitura tão prazerosa que cura qualquer tentativa de mau humor, angustia, cara feia, depressão ou coisa parecida.
A prosa de Vovô (como Augusto Severo Neto era chamado carinhosamente pelos amigos, convence o leitor no primeiro parágrafo. De líricos e de Loucos foi escrito com o falar, o linguajar de cada personagem. Augusto detalha na abertura: “Olha aí, companheiro: isso é uma ruma de historias de mesmo. De uma eu participei. De outras fui assistente, testemunha ou o que seja. Gostaria de contá-las a vocês diante de um copo de vinho, uma cerveja, ou,ate, uma boa cana. Mas nem sempre se pode fazer tudo”.
De Líricos e de loucos tem 50 personagens, com historias maravilhosas. Começa com Zé areia, Raimundo Haja Pau, Calemba, Luiz Tavares, Samoa, Nestor, Doutor Underwood, O mudinho, O Conde, Boquinha, Julia Aguia, Bernadete, Joca Lyra, João Lyra, Armandinho de Gois, Paulo Lyra, Jorge Palito, Doutor Choque, Albimar Marinho, Morvan Dantas, Ribamar, Pedro Milaco, Caju, Das Neves, Zé Menininho, Raimundo Bamba, Zé Andre, Inácio Magalhães de Sena, Liliu, Oracio Barbalho, Severina, João Alfredo Pegado Cortez, Pio Barreto, Berilo Wanderley, João Machado, João de Brito Namorado, Hernani Hugo, Newton Navarro, Tota Zerôncio, Otavio da Brahma, Dom Marcolino Dantas, Roberto Freire, Rosa Negra, Manoel Josue, Salviano Gurgel, Renato Caldas, Belinho, Luiz Romão, Ivanildo (Deus), Cloro da Farmácia e Felinto Lucio.
Dos 50 personagens do livro de Augusto Severo, dois continuam entre nós, frequentando o Sebo Vermelho: Deus (Ivanildo Correia de Paiva) e o Bispo de Taipu (Inácio Magalhães de Sena).
Esta reedição é uma homenagem ao poeta, cronista, romancista, memorialista, boêmio e amigo Augusto Severo Neto, que nasceu em Natal a 22/04/1921 e faleceu em Pirangi do Sul, dia 16/04/1991, onde está sepultado.
Abimael Silva
Sebista e Editor
Coisas lá de Nós
Leitor abanque-se para a boa prosa. Aquela que, sendo acolhedora, ensina e diverte. O sertão arcaico encontra-se aqui em sua plenitude narrativa. De maneira que,sob vários aspectos, este é um livro que já toma ótimo assento dentre as obras memorialísticas do Seridó. Sua marca maior é cozer a história familiar à memória praticada sobre o cotidiano sertanejo. O texto presentifica a vivência partilhada no dia-a-dia dos sítios de criação de gados e plantações seridoenses. É uma história do cotidiano com todos os seus apetrechos e estratégias usados para a fabricação da alma do Seridó. O leitor compreenderá a ambiênciados campos, das casas de taipa, de alvenaria e de outros espaços de domesticidade e intimidade. Espreitará os fazeres, os haveres e os saberes de uma região cujo maior patrimônio é certa militância pela memória narrada. Para além da memorialística familiar autorreferente, o livro evoca o tirocínio de uma sociedade semeadora de fecundas conexões com seu meio natural. Neste sentido, recorda a sabedoria sertaneja acumulada nas afinadas observações climáticas, botânicas, zoológicas, geológicas, em uma palavra, cósmicas. Experiências que foram e são utilizadas no engenho de sua sobrevivência através da alimentação, dos afazeres e das artes curativas. O trabalho nos sertões poderia ter sua rudeza espelhada na caatinga e lajedos, mas sua rotina amolecia-se nas brincadeiras, jogos e festas tão bem descritas pelos autores. Se por um lado, os costumes sertanejos são neste livro solfejados um a um, por outro, há uma imensa galeria de personagens familiares, cujos traços fortes cobram o enredo de um romancista. São como aquelas figuras que aparecem emolduradas em antigas casas de fazendas, como guardadas em cápsulas de tempo. Retratos cujos olhares sisudos e tensão postural assinalam famílias e constelam a região. Mas não adiantemos muito a novidade, melhor parar por aqui, e é bom o leitor pegar logo um lugar no espaçoso banco do alpendre. Boa leitura.
Muirakytan K. de Macêdo
Nas Gavetas da Memória - por Yuno Silva
Na ocasião, o Centro de Direito Humanos e Memória Popular apresenta DVD-Rom sobre Macedo, que figurou na lista dos presos políticos durante o período da ditadura Militar aqui no RN.
A saga de Joaquina ficou latente por uma década, bem guardada na memória do jornalista, até ser retomada meio que por acaso durante viagem internacional do autor no final dos anos 1990. “Lembrei de Joaquina durante um cruzeiro pela Grécia, na verdade foi meu colega de viagem (o médico) Paulo Frassinete que conhecia a história e, olhando pro Mar Egeu, disse que as águas tinham o azul dos olhos da personagem”, recorda.
Quase 15 anos depois, Ubirajara decidiu passar tudo para o papel, e como não consegue mais digitar, ditou todo o livro para a enteada Virna Damasceno e a cuidadora Érica Glauciane Jerônimo, que trabalha com Ubirajara há seis anos. “Muita gente me ajudou a fazer esse livro”, comemora, “ficaram impressionadas (Virna e Érica) com a riqueza dos detalhes da história. Só agora no fim da vida me lembrei de escrever esse livro. Meus amigos sempre disseram que Joaquina merecia um livro”.
O processo de feitura da obra levou cerca de quatro meses. A publicação sai com chancela da Sebo Vermelho Edições e o preço de capa é R$ 25.
O livro é pura ficção, mas os lugares por onde a protagonista andou e alguns nomes com quem ela topou ao longo de sua trajetória são verdadeiros, como a própria Maria Boa e o professor Antônio Corcino de Macedo, pai de Ubirajara, que lecionava no distrito de Jundiaí e, no livro, ensina o be-a-bá à Joaquina. Apesar de ter conhecido uma Joaquina em Macaíba há muito tempo, o autor garante que não há nenhuma relação. “Peguei só o nome emprestado. A história surgiu sem referências externas, ninguém me disse nada”, garantiu.
Ele diz não ter outras histórias “na cabeça”, e se “tivesse idade” escreveria sobre suas viagens ao lado da esposa Dona Lourdinha, com quem está casado há 14 anos – os lugares citados como mais inspiradores foram Chile, Cuba, Paris, Budapeste (Hungria) e a Turquia. Durante a entrevista, inclusive, reclamou do estado de saúde: Ubirajara Macedo está se recuperando da quarta pneumonia seguida. “Estou em um momento ruim, meio doente”, avisou. Nascido em Macaíba no dia 1º de março de 1920, faz questão de dizer que tem quase 94 anos e meio.
“Não sou comunista”
Esse é o terceiro livro de Ubirajara Macedo. O primeiro, “E lá fora se falava em liberdade”, foi escrito entre 1964 e 65, durante os 11 meses que o jornalista ficou detido pelo regime Militar sob acusação de subversão comunismo. “Sou católico apostólico romano, sobrinho de Dom Joaquim de Almeida, o primeiro bispo de Natal, não tinha como ser comunista”. Ele trabalhou no jornal do ex-prefeito Djalma Maranhão, onde matinha uma coluna que lançava críticas ferinas onde tratava os norte-americanos como imperialistas. “E são mesmo! Sou de esquerda, permaneço de esquerda, mas não sou comunista”, avisa.
Na época ele ficou preso com o médico Vulpiano Cavalcanti (1911-1988), esse sim Comunista com C maiúsculo, e o educador Moacyr de Góes (1930-2009).
No segundo título, publicado em 2008, Macedo conta a história do Clambom (Clube dos Amantes da Boa Música), grupo que ajudou a fundar em 1992 com o radialista Luiz Cordeiro na casa da cantora Glorinha Oliveira. Entre o segundo e este terceiro livro, Nelson Patriota lançou a biografia “No outono da memória – O jornalista Ubirajara Macedo conta a história da sua vida” (2009).
Ubirajara Macedo morou por cinco anos em São Paulo, após ser liberado pelos Militares. Na capital paulista trabalhou como secretário da presidência dos Correios. Como jornalista atuou em rádios, na Folha de São Paulo e na Editora Abril. Em Natal, trabalhou algum tempo nesta TRIBUNA DO NORTE e fincou bandeira no extinto Diário de Natal. Fez parte da primeira gestão do Sindicato dos Jornalistas, como vice na chapa de Arlindo Freire.
Coleção
Roberto Monte, um dos coordenadores do Centro de Direito Humanos e Memória Popular, que vem levantando informações sobre os chamados Anos de Chumbo, vem trabalhando na coleção Memória das Lutas Populares do RN. Monte contou que suas pesquisas levantaram 400 nomes de potiguares reprimidos no período da ditadura Militar, e que 17 deles ganharam destaque na coleção, como Ubirajara Macedo, Glênio Sá, Juliano Siqueira, Mery Medeiros e Dermi Azevedo. “Temos depoimentos gravados desde 1989, muito material inédito, e este DVD-Rom (áudio, vídeo, fotos e textos) traz documentos importantes da vida de cada um desses personagens”. O depoimento de Macedo foi gravado há quatro anos.
www.tribunadonorte.com.br
Frankie Marcone
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
REBARBATIVO, NÃO.PASSIONAL
Não poderia deixar de falar de um velho amigo,MOACY CIRNE, que conheci aos dezessete anos, vindo do Sertão de Caicó para morar em Natal.Da mesma idade,construímos nossa amizade, respeitando nossas diferenças e acentuando nossas semelhanças. Ele se dizendo ateu e eu, cristão.Ambos procurando um sentido para vida. Ele lendo Sartre e eu, o existencialismo católico.Até que entrou o diálogo entre marxistas e cristãos, João XXIII e Kruschev se entendendo.Ingressei na Ação Popular e ele, já no Rio de Janeiro, ingressou no Partido Operário Comunista, uma dissidência trotskista.Mas antes da angústia existencial, bem antes de Marx, Gramsci, O Livo Vermelho de Mao Tsé-Tung, a guerrilha de Che Guevara, havia o amor pela arte. a literatura, e a paixão pelas mulheres que tratávamos como damas, nos cabarés da Ribeira, zona portuária.O que admirava neste amigo era a paixão.Quadrinhos (o primeiro a publicar no Brasil livro sobre o tema), a Teoria Literária, o Cinema,o Futebol (torcedor do Fluminense), a Vida.Detestava os hábitos burgueses, os signos do capitalismo, consumismo, a indústria cinematográfica hollywoodiana, Coca Cola.os shoppings.Detestava o academicismo.Largou o curso de Direito, na Faculdade da UFRN, alegando que pouco tinha que aprender ali.No Rio ingressou na Revista Vozes, onde foi editor e publicou livros que começaram ter recpetividade tanto no meio acadêmico e fora dele.Ficou conhecido por integrar o movimento vanguardístico do Poema Processo, ao lado de Wlademir Dias-Pino, Álvaro de Sá e outros.Foi um dos fundadores do PT, nunca renegando seu ideário.Mesmo quando abandonou a militãncia política. Na ultima conversa que tivemos, disse estar satisfeito com os rumos que o seu partido tomava. e mais: falou que José Dirceu fazia parte da história do PT e do país.(Concordei, dizendo-lhe que em minha carreira jurídica tive muitas decepções).Meu amigo Moacy nunca se graduou em Univerisdade nenhuma, mas foi convidado para ensinar na Universidade Federal Fluminense em Niterói.Contentou-se com o título de "notório saber" que lhe foi outorgado pela Universidade onde lecionava e onde chegou a ser Chefe do Departamento de Comunicação Social.Nunca se afastou do Rio Grande do Norte, principalmente da Região do Seridó.A paixão foi o seu método, para chegar aonde queria: o Comunismo ou à Terra de São Saruê, a utópica pátria dos sertanejos segundo os cordéis de feira dos pobres camponeses.Tinha costumes simples. Com sua barba podia ser confundido com Marx, um profeta sertanejo de Caicó, ou de Canudos.Havia,claro, os reacionários e preconceituosos que o detestavam.Eu, parodiando Lafargue, chamava-o de Jeová Barbudo de Caicó.Rebarbativo, não. PASSIONAL!!!
Jarbas Martins
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Uma paixão desenfreada pelo Seridó, Seridós...
Seridó, Seridós, é uma edição do Sebo Vermelho, reunindo crônicas de Moacy Cirne, verdadeira epifania ao sertão onde nasceu e descobriu o mundo. O poeta, o cronista e memorialista se encontram e se reencontram em deliciosos textos. O insuperável sabor da terra. Se o francês tinha suas madeleines, o seridoense vai buscar suas lembranças nas bolachas regalias. As orelhas do livro já seguram o leitor na primeira linha, bem antes da primeira curva:
MOATIDATOTATÍRNE, como se autodenominava quando criança, viajou pelas planícies brancas de Marte antes de anoitecer em nosso planeta. Nascido na Caatinga Grande das terras seridoenses, conheceu o mundo do ano de Dia de ira(Dreyer) e Perto do coração selvagem (Clarice Lispector), além de O ser e o nada(Sartre). Admirador de Guimarães Rosa, Oswald de Andrade, Graciliano Ramos e Moysés Sesyon, adora caldo de cana com pão doce. Criticado por muitos e elogiado por alguns poucos, sobretudo os amigos, MtT é um despoeta do cangaço anticulturalcontramemorialistico.
Mais adiante se confessa um ateu militante e se declara leitor da Bíblia e dos quadrinhos eróticos de Milo Manara.
Faz outras confissões: Devoto de Nossa Senhora de SantAna, São Castilho e São Nelson Rodrigues, estes dois últimos certamente por conta do Fluminense, sua outra grande e incontrolável paixão. Olhando para o Itans, Moacy Cirne faz nova confissão: Gostaria de ter escrito o Pentateuco. Ou, então, os livros de Oswaldo Lamartine.
Apaixonado também pelo cinema, frequentador do cine Pax, de seu Clóvis, Moacy vai debulhando suas lembranças pelas ruas de sua cidade:
Quando criança, nas ruas empoeiradas de Caicó dos anos 40 e 50, ruas essas bordadas com os sentimentos das descobertas intangíveis, eu me perguntava: Será que a bela Esther Williams um dia sairia das piscinas do cinema de seu Seu Clóvis para visitar meus sonhos mais delirantes? Será que a estonteante Ava Gardner um dia, quem sabe, abandonaria os braços de Frank Sinatra para ser acolhida pelos meus abraços e pelos meus delírios?
Da Coluna de Woden Madruga na Tribuna do Norte
Seridó, Seridós será lançado sábado, 14, a partir das 9 horas, no Sebo Vermelho, da avenida Rio Branco, 705 (onde foi Gumercindo Saraiva), Cidade Alta.
MOATIDATOTATÍRNE, como se autodenominava quando criança, viajou pelas planícies brancas de Marte antes de anoitecer em nosso planeta. Nascido na Caatinga Grande das terras seridoenses, conheceu o mundo do ano de Dia de ira(Dreyer) e Perto do coração selvagem (Clarice Lispector), além de O ser e o nada(Sartre). Admirador de Guimarães Rosa, Oswald de Andrade, Graciliano Ramos e Moysés Sesyon, adora caldo de cana com pão doce. Criticado por muitos e elogiado por alguns poucos, sobretudo os amigos, MtT é um despoeta do cangaço anticulturalcontramemorialistico.
Mais adiante se confessa um ateu militante e se declara leitor da Bíblia e dos quadrinhos eróticos de Milo Manara.
Faz outras confissões: Devoto de Nossa Senhora de SantAna, São Castilho e São Nelson Rodrigues, estes dois últimos certamente por conta do Fluminense, sua outra grande e incontrolável paixão. Olhando para o Itans, Moacy Cirne faz nova confissão: Gostaria de ter escrito o Pentateuco. Ou, então, os livros de Oswaldo Lamartine.
Apaixonado também pelo cinema, frequentador do cine Pax, de seu Clóvis, Moacy vai debulhando suas lembranças pelas ruas de sua cidade:
Quando criança, nas ruas empoeiradas de Caicó dos anos 40 e 50, ruas essas bordadas com os sentimentos das descobertas intangíveis, eu me perguntava: Será que a bela Esther Williams um dia sairia das piscinas do cinema de seu Seu Clóvis para visitar meus sonhos mais delirantes? Será que a estonteante Ava Gardner um dia, quem sabe, abandonaria os braços de Frank Sinatra para ser acolhida pelos meus abraços e pelos meus delírios?
Da Coluna de Woden Madruga na Tribuna do Norte
Seridó, Seridós será lançado sábado, 14, a partir das 9 horas, no Sebo Vermelho, da avenida Rio Branco, 705 (onde foi Gumercindo Saraiva), Cidade Alta.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Morre o chargista Antonio Amâncio. Ele foi um dos primeiros a denunciar as mazelas da nossa desgovernadora. Seu genial sarcasmo fará muita falta por aqui. RIP, Amâncio.
A imprensa norte-rio-grandense perdeu hoje um dos seus talentos gráficos mais combativos, o chargista Antonio Amâncio, vítima de um acidente automobilístico sofrido durante o feriadão, quando iria visitar a família em Macau.
Durante meu tempo de redação, nunca tive a oportunidade de trabalhar com Amâncio. Conheci-o durante o lançamento de uma coletânea de suas obras, no Bardallo's, que rendeu um papo ligeiro, mas agradável. Quem era da sua lista de amigos neste facebook com certeza deve ter recebido inúmeras mensagens privadas pedindo para curtir/compartilhar suas charges sempre que ele as postava por aqui.
Amâncio não tinha um traço muito sofisticado (apesar de um ser um bom caricaturista) e nem sempre a execução da ideia em suas charges alcançava a sutileza dos mestres nesse ofício, porém possuía uma característica que o destacava, de longe, de seus colegas na imprensa potiguar: o caráter predominantemente político de suas charges.
Certamente pelo seu intenso envolvimento com o sindicalismo, Amâncio invariavelmente direcionava seus ataques para os donos do poder, dando nome e cara (feia) aos bois. Poucos entenderam, no RN, o sentido original do termo 'charge' como gênero jornalístico. E falar de poder, aliás, contra o poder no Rio Grande do Norte não é tarefa pequena nem fácil.
O fato de uma destas charges ter motivado sua saída da Tribuna do Norte só aumenta e valoriza sua biografia profissional - além de diminuir a do jornal e a do casal de pistoleiros do Oeste que tomaram de assalto o Governo do Estado.
Não pensem que tal mesquinharia é exclusividade dos provincianos mossoroenses. Testemunhei certa vez um colega chargista ser proibido de retratar a ex-governadora Wilma de Faria e seu esfuziante penteado laqueado, depois que ela telefonou para o diretor do veículo e reclamou da sua feiura exterior (como se a interior já não bastasse).
Por ironia do mercado e demonstrando as incongruências desse cruel jornalismo tribal a que estamos submetidos, Amâncio encerrou sua carreira como chargista do Jornal de Hoje, um noticioso comumente achincalhado pelos livres-pensadores da terrinha por sua subserviência a "quem pagar mais", mas onde diariamente ele podia fazer o que sabia como poucos: bater em quem merece.
Valeu, Amâncio. Pelo exemplo. Pela luta. Alex de Souza
http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2013/11/morre-chargista-antonio-amancio-vitima-de-acidente-na-br-406-no-rn.html
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Uma Aventura na África... um retrato de Angola.. Lançamento em Breve!!
Especial é pouco. Sinto-me inteiramente privilegiada em falar sobre o autor deste livro, a quem tenho orgulho de ser admiradora, filha e amar incondicionalmente, assim como versar um pouco sobre esta obra, que se trata de um projeto antigo, escrito anos atrás sem grandes intenções para publicação.
No entanto, diante de uma leitura agradável que prende a atenção do leitor, que tem interesse em saber cada vez mais sobre o que se passa numa vida tão distinta da nossa, em termos culturais, senti-me na obrigação de colocar este projeto para frente.
Dar ao meu pai e ao seu escrito o devido valor e fazer com que esta obra siga para mãos curiosas, olhos ávidos pelo conhecimento, olhos com olhar dedicado ao coração, sentimento que de fato apresenta-se em algumas histórias desta obra.
São relatos de acontecimentos, uns tristes, outros nem tanto e alguns te fará sorrir incansavelmente. Você vai se divertir com a leitura e também se emocionar.
A respeito do autor, os ossos do ofício o deixou por muito tempo distante de sua família, privando-o, assim, de comemorações importantes e momentos únicos. Porém, isso o fortaleceu e fez dele o mais especial dos homens para nossa família, pois mesmo ausente estava sempre presente em nossas lembranças e corações.
Guerreiro em sua batalha, dedicado ao trabalho e ao conhecimento, pessoa de fácil convívio, ele superou todas as adversidades que encontrou em seu caminho, nessa jornada de um ano que passou na África. Esse período, mais pareceu uma vida inteira, com direito a fazer amigos, se auto-conhecer, conviver com as diferenças e as semelhanças e até superar a perversa malária.
Francisco de Assis, Chico ou Chicão, como é chamado pelos amigos, é autor do livro Campeões de Causos (1988), em que relata histórias pitorescas do cotidiano. Porém, em seu arquivo pessoal já conta com alguns livros escritos e esperando futuras publicações.
Entre eles, há um grande romance que se passa na Cidade do Natal e uma outra obra totalmente poética, com poesias escritas nos tempos idos, quando ainda mais jovem. Logo, você, leitor, terá a oportunidade de apreciá-los tão quanto fará com este.
A África é realmente um lugar mágico. Então, tenha uma boa leitura e aprenda um pouco mais sobre sentimento, aquela sensibilidade que só vem do coração.
Cecília Otaviano Cavalcante de Assis
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Na Tal Cidade do Humor... Um brinde ao riso por Cellina Muniz
Além de sua escrita peculiar e rara, o que mais impressiona nestes escritos de Cellina Muniz é sua relação com a produção cultural local. Esta marca estava já em trabalhos anteriores (até mesmo em sua tese de doutorado, “A experiência pedagógica de uma escritura dionisíaca”, em que analisa as práticas de escrita de fanzines e revistas alternativas de um grupo da capital cearense) e reaparece com força neste novo conjunto de artigos. Na tal cidade do humor tanto mostra o viés acadêmico dos trabalhos de Cellina (e que eles não precisam ser solenes) quanto sua relação densa com a cidade (Natal agora, Fortaleza antes), especialmente pela relação com tipos que, na falta de termo melhor, se chamariam populares. Também porque me interessam estudos do humor, saúdo mais este livro de Cellina.
SírioPossenti (IEL/UNICAMP)
Nascida em Brasília-DF mas cearense de pai, mãe, criação e coração. Mora atualmente em Natal, onde trabalha como professora adjunta do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da UFRN. Publicou também Nietzscheanismos (Fortaleza, UFC, 2008), Fanzines: autoria, subjetividade e invenção de si (Fortaleza, UFC, 2010) e O Livro de Contos de Alice N. (Natal, Sebo Vermelho, 2012).
cellina.muniz@bol.com.br
www.escritosdealicen.blogspot.com
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Suspense, Polêmica e Mistérios nos Crimes do Padre Heusz
A história da história
O personagem
foi criado dia 1º de outubro de 2010, uma sexta-feira. A princípio a história
do Padre Heusz seria publicada em capítulos no blog Coisas de Jornal, mantido
pelo autor. Ficou só na intenção. Após a publicação do primeiro capítulo o autor
esqueceu o personagem para somente resgatá-lo em 2013. Tomando a decisão de
transformar a ideia em livro este foi redigido em cerca de três meses, uma vez
que o Barreto somente tinha tempo à noite, após as aulas na UFRN. “Os crimes do
Padre Heusz” é um mergulho profundo na condição humana, seus equívocos,
tragédias, desvãos e deslizes. É a cifra da busca humana pela redenção ante a
perplexidade advinda da finitude do estar vivo. A isso se alia a prática da
vida como pecado, a vida como instância de culpa e busca desesperada do divino
pelo pecador/culpado. “Os crimes...” é também, à sua maneira, um romance
policial e, com alguma licença, um livro de aventuras. Por mais terríveis que
estas sejam.
Sobre o autor
BARRETO é jornalista há 38 anos. Doutor em Ciências Sociais. Começou no Diário de Natal como repórter de polícia recebendo as primeiras letras de Alexis Fernandes Gurgel, louco sublime. Ingressou no jornalismo após ser submetido a teste de datilografia e conhecimentos gerais por Luis Maria Alves, O Coroa, lendário superintendente dos Associados no RN. Depois trabalhou na Tribuna do Norte, A República, semanário Dois Pontos, TV Ponta Negra. Foi correspondente da revista Visão. Atualmente é professor do curso de Jornalismo da UFRN onde ministra Jornalismo Impresso, Oficina de Texto III e Reportagem, Pesquisa e Entrevista. Apresenta e dirige o programa de entrevistas Grandes Temas, na TV Universitária. Na mesma TV criou e apresentou por dois anos o programa Xeque-Mate, de entrevistas. Publicou Crônicas para Natal e Memória do Comércio do Rio Grande Norte, livro-reportagem. Mantém o blog Coisas de Jornal. Tem artigos sobre jornalismo e comunicação publicados em revistas acadêmicas nacionais e internacionais. Faria tudo outra vez.
PS: o autor acredita em Deus, quer bem a Nossa Senhora e tem medo de lobisomem; isso é bom para a alma, conforme ensinamentos recebidos de Luis da Câmara Cascudo.
BARRETO é jornalista há 38 anos. Doutor em Ciências Sociais. Começou no Diário de Natal como repórter de polícia recebendo as primeiras letras de Alexis Fernandes Gurgel, louco sublime. Ingressou no jornalismo após ser submetido a teste de datilografia e conhecimentos gerais por Luis Maria Alves, O Coroa, lendário superintendente dos Associados no RN. Depois trabalhou na Tribuna do Norte, A República, semanário Dois Pontos, TV Ponta Negra. Foi correspondente da revista Visão. Atualmente é professor do curso de Jornalismo da UFRN onde ministra Jornalismo Impresso, Oficina de Texto III e Reportagem, Pesquisa e Entrevista. Apresenta e dirige o programa de entrevistas Grandes Temas, na TV Universitária. Na mesma TV criou e apresentou por dois anos o programa Xeque-Mate, de entrevistas. Publicou Crônicas para Natal e Memória do Comércio do Rio Grande Norte, livro-reportagem. Mantém o blog Coisas de Jornal. Tem artigos sobre jornalismo e comunicação publicados em revistas acadêmicas nacionais e internacionais. Faria tudo outra vez.
PS: o autor acredita em Deus, quer bem a Nossa Senhora e tem medo de lobisomem; isso é bom para a alma, conforme ensinamentos recebidos de Luis da Câmara Cascudo.
“Emanoel
Barreto é um dos melhores redatores da minha geração naquele velho e
inesquecível Diário de Natal, o outro. É o excelente contador de histórias que
vem aí. Com e velhíssima leveza que fez dele uma presença talentosa e querida
na história contemporânea do jornalismo aldeão.”
Vicente Serejo – Cena Urbana – O Jornal de Hoje
“‘Os
crimes do Padre Heusz’: a obra trata, em meio ao suspense em que foi
construída, da questão da condição humana.”
Mário Gerson – Gazeta do
Oeste
“O
romance é uma sucessão de acontecimentos bizarros e terríveis situações, com os
personagens levados ao limite da condição humana. Tudo se passando em meio a
momentos de terror e a um final absolutamente inesperado.”
Jornal de Fato
“A obra trata da questão da
condição humana, da queda, das incertezas e questionamentos entre os conceitos
do Bem e do Mal.”
O Mossoroense
“Recebo
informação sobre o romance “Os crimes do Padre Heusz”, livro do grande
jornalista Emanoel Barret. O livro conta a história do Padre Heusz que toma ao
pé da letra a assertiva bíblica “o salário do pecado é a morte” e pune os
pecadores com hóstias envenenadas. Com certeza um grande livro a considerar que
Emanoel Barreto tem um dos melhores textos que eu conheço.”
Gilberto de Sousa – Circulando em Off – Gazeta do
Oeste
domingo, 30 de junho de 2013
Três momentos dentro do cangaço
Reprodução
Lampeão: Sua História, de Érico de Almeida
A
figura controversa do cangaceiro Virgolino ‘Lampião’ Ferreira,
Virgolino (1898-1938) com “o” que é a maneira correta de grafar o nome
verdadeiro do mais famoso e temido dos anti-heróis brasileiros de acordo
com a página eletrônica (infonet.com.br/lampiao) mantida pela neta do
cangaceiro Vera Ferreira, permeia os três novos lançamentos da Sebo
Vermelho Edições agendados para este próximo sábado (29), das 9h às
12h, no próprio sebo na Av. Rio Branco – Centro. “Quem é quem no cangaço”, de Paulo Medeiros Gastão; “O Cabeleira”, de Franklin Távora; e “Lampeão – sua história”, primeira biografia sobre o cangaceiro escrita em 1926 pelo paraibano Érico de Almeida, fazem parte da Coleção João Nicodemos de Lima que chega ao volume 378. “É mais uma raridade da bibliografia do cangaço que o Sebo Vermelho reedita em edição fac-similar, para conhecimento das novas gerações”, comentou Abimael Silva sobre a biografia pioneira escrita mais de uma década antes da morte de Lampião (com “i”, segundo Vera Ferreira).
Escritor e jornalista, Érico de Almeida escreveu 14 capítulos sobre a presença de Lampião na Paraíba, Pernambuco, Ceará e Alagoas; sendo o último capítulo um depoimento do também cangaceiro Antônio Silvino (1875-1944) sobre Lampião.
Reprodução
Quem É Quem No Cangaço, de Paulo Medeiros Gastão
Já
“Quem é quem no cangaço”, do pernambucano Paulo Medeiros Gastão, 74,
trata-se de uma obra referência que funciona como ponto de partida para
quem quer conhecer a ‘literatura cangaceira’. O livro, originalmente
publicado em 2012, traz uma vasta lista com nomes de autores de todo o
Brasil que abordaram o tema em várias épocas – os potiguares Lauro da
Escóssia, Juvenal Lamartine, Câmara Cascudo e Iaperi Araújo são alguns
dos citados na obra.
Reprodução
O Cabeleira, de Franklin Távora
Enquanto
“O Cabeleira”, editado pela primeira vez em 1876 e que também vem em
versão fac-símile, traz o cangaço para o universo urbano. Contemporâneo
de Visconde de Taunay, José de Alencar, Machado de Assis e Joaquim
Manoel de Macedo, o cearense Franklin Távora (1842-1888) foi um dos
pioneiros do chamado romance regionalista com este romance. O livro, o
primeiro registro da literatura brasileira a ter um cangaceiro como
personagem central, narra as aventuras e desventuras do cangaceiro José
Gomes na cidade do Recife do século 18.“Ótima leitura para quem aprecia, detesta ou espreita o cangaço”, garante o sebista e editor Abimael Silva.
Serviço: Lançamento dos livros “Quem é quem no cangaço” (R$ 30), de Paulo Medeiros Gastão; “O Cabeleira” (R$ 25), de Franklin Távora; e “Lampeão – sua história” (R$ 25), de Érico de Almeida. Sábado (29), das 9h às 12h, no Sebo Vermelho – Av. Rio Branco, 705, Cidade Alta.
Fonte: Tribuna do Norte ---- www.tribunadonorte.com.br
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