domingo, 15 de abril de 2012

Saturno em Oposição ao Sol por João da Mata Costa




Na fabulosa dança dos planetas em orbitas elípticas em torno do Sol hoje (
dia 15 de Abril ) é possível apreciar o planeta Saturno e seus belos
anéis. Isso acontece porque o planeta Terra encontra-se entre o Sol e
Saturno permitindo uma visão mais próxima da Terra.  Por ordem de
distancia do Sol  Saturno é o sexto planeta do nosso sistema solar e é o
planeta mais distante visto a olho nu. Com uma pequena luneta é possível
observar seus maravilhosos anéis. Na astronomia egípcia Saturno fazia
parte dos planetas superiores ( junto com Marte e Júpiter) e era designado
o Hórus – Touro do Céu. Saturno é o segundo maior planeta do sistema solar
e assim como o maior planeta; Júpiter (bem visível em conjunção com Vênus
no mês passado ) faz parte dos planetas ditos Jovianos. Saturno (do latim
Saturnus) é o Deus romano da agricultura.
Planetas Jovianos
Os planetas jovianos ( do tipo  de Júpiter) são planetas gasosos e fazem
parte dos gigantes do sistema solar. A família dos jovianos é composta de
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Possuem densidades muito menores que os
planetas telúricos ( rochosos)  da família do planeta  Terra: Mercúrio,
Vênus, Terra e Marte.
Os planetas jovianos possuem várias luas.  A atmosfera de Saturno é
composta essencialmente de Hidrogênio. Seus anéis alinhados com o plano
equatorial do planeta. Os outros planetas jovianos também possuem anéis,
mas são menos brilhantes que os de Saturno. Os anéis de Saturno foram
observados pela primeira vez por Galileo em 1610  e são compostos de
rochas e gelo.
Nesse Domingo de outono, dia 15 de Abril, é possível observar esse belo
planeta tão  próximo numa bela dança planetária.

Saturno na Arte e Mitologia
Em um quadro famoso do pintor espanhol Goya aparece Saturno devorando um
de seus filhos.  Na Mitologia Grega Saturno é conhecido como o Deus
Cronos. Filho de Urano, o Deus dos Céus, e de Gaia, a Deusa da Terra.
Cronos, temerosos de que um dos seus filhos se revoltasse contra ele,
resolveu destruir toda a sua descendência. Começou comendo as três fêmeas
– Héstia, Deméter e Hera. Em seguida os homens Hades e Poseidon.
 Réia, mulher de Saturno- Cronos, sabendo-se grávida do sexto  filho,
viajou para Creta onde deu à luz Júpiter (Zeus). Réia enganou o seu
marido e em vez de lhe entregar o filho, deu-lhe uma rocha enrolada com
panos de recém- nascido.
O déspota engoliu o pedaço de rocha. Zeus crescia aos cuidados das Ninfas
era o filho do Tempo. Saindo da ilha para enfrentar o pai- tirano,
tomou-lhe a foice e decepou seus órgãos sexuais tornando-o impotente.
Qual o significado disso segundo o livro Mitologia – O primeiro encontro
do Bruno Nardini (Círculo do Livro pp. 14).
O mito de Crono-Saturno, que durante séculos assustou os homens, significa
a fatal destruição do Tempo, que gera os dias, os anos e os destrói.
Crono– Saturno que devora os filhos é esse processo fatal que se chama
“devir” e pelo qual tudo nasce, cresce, reproduz-se, definha e morre.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Lampião em Mossoró sob o olhar do Historiador Raimundo Nonato


Em 1955, o historiador Raimundo Nonato da Silva publicou Lampião em Mossoró, com selo da Pongetti, terceiro volume da Série C (livros), da Coleção Mossoroense, com edição esgotada em um mês. É a primeira publicação sobre a presença do rei do cangaço em Mossoró.
            Tudo aconteceu dia 13 de junho, fim de tarde de uma segunda-feira chuvosa, quando Lampião entrou em Mossoró, perdeu dois cangaceiros e colecionou sua maior derrota.
            Dizem que o culpado foi Macilon, que fez a cachola de Virgulino, dizendo ser negócio atacar a terra de Santa Luzia.
            Lampião em Mossoró é um dos poucos livros sobre o cangaço embasado em documentos. Tem o depoimento de Jararaca, publicado no Mossoroense, nominando 45 cangaceiros que participaram do ataque; a reprodução fac-similar do bilhete de Lampião ao prefeito de Mossoró, dia 13 de junho; uma fotografia com os defensores da cidade e a presença do prefeito Rodolfo Fernandes; o diário do coronel Antônio Gurgel, que ficou 16 dias sequestrado pelo bando e escreveu um rico diário, de 12 a 28 de junho de 1927; o processo contra Lampião, em Pau dos Ferros, que ficou aberto de 1927 a 2008, quando Sérgio Dantas, juiz e pesquisador do cangaço, encerrou essa pendenga.
            Raimundo Nonato da Silva, renomado historiador norte-rio-grandense, também é o mais injustiçado da província. Em 2003, o Governo do Estado e Diário de Natal publicaram dez fascículos sobre as personalidades do oeste potiguar, mas acabaram esquecendo o nome e a importância do autor de Lampião em Mossoró.
            Segundo a Bibliografia do Rio Grande do Norte, a enciclopédia da literatura norte-rio-grandense, de Francisco Fernandes Marinho, Raimundo Nonato teve 96 livros editados e reeditados, com muitos títulos de importância nacional, como Quarteirão da Fome (1949), A Revolução de Trinta em Serra Negra (1955), Lampião em Mossoró (1955), Estórias de Lobisomem (1959), Bacharéis de Olinda e Recife (1960), Os Revoltosos em São Miguel (1966), Presença Norte-rio-grandense na Alçada Pernambucana (1971), Jesuíno Brilhante – O Cangaceiro Romântico (1970) e Calepino Potiguar (1980).
            Raimundo Nonato da Silva nasceu em Martins (RN), em 18/08/1907, e faleceu no Rio de Janeiro, em 22/08/1993.

  Abimael Silva  
 Sebista e editor
O jornalista e escritor Carlos de Souza promove novo lançamento de seu recém-publicado romance "Cidade dos Reis" (FJA/R$ 20) neste próximo sábado (31), a partir das 11h, no Sebo Vermelho - Av. Rio Branco. A ficção traz pitadas de passagens históricas, e narra a trajetória do anti-herói Jonas Camarão, que testemunha, a partir de uma Natal de várias épocas, os principais acontecimentos políticos e culturais do século 20.
FOTO: Elisa Elsie

segunda-feira, 26 de março de 2012

Brilhante Ustra: Torturador, sequestrador e agora colunista da Folha

Que o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra é sequestrador e torturador não é uma opinião minha, é sentença do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível de São Paulo, 9 de outubro de 2008. A notícia, que reproduzo em parte abaixo, mostra quem é o que fazia o coronel no período mais infame da ditadura (a tal ditabranda da Folha).
Pois não é que a Folha abriu espaço em sua página 3 de sexta-feira para que Brilhante Ustra dê sua versão sobre acusações que sofre de outro que o acusa de tortura, o ex-presidente do BC no governo FHC Pérsio Arida?
Não foi à toa que a Folha procurou a ficha de Dilma durante a campanha. Se, durante a ditadura, com o empréstimo de seus veículos para que presos fossem transportados para serem torturados pela turma de Brilhante Ustra e com o editorial de Otávio Frias pai elogiando Médici, o jornal mostrava de que lado estava, agora, com a classificação da ditadura como ditabranda , com a infame (duas vezes a palavra “infame” numa mesma postagem, deve ser recorde – só a Folha…) publicação na primeira página da ficha falsa de Dilma e com a publicação da defesa de um sequestrador e torturador (não sou eu quem diz, mas a sentença de um juiz, até hoje válida), a Folha confirma sua posição – e se ela está ao lado de Médici, da ditabranda e de Ustra, o leitor fica no pau de arara da História.

eia a notícia da condenação de Brilhante Ustra, conforme publicada na própria Folha em 2008:

Por decisão do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível de São Paulo, de primeira instância, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra tornou-se o primeiro oficial condenado na Justiça brasileira em uma ação declaratória por sequestro e tortura durante o regime militar (1964-1985).
A sentença, publicada ontem, é uma resposta ao pedido de cinco pessoas da família Teles que acusaram Ustra, um dos mais destacados agentes dos órgãos de segurança dos anos 70, de sequestro e tortura em 1972 e 1973.
(…) Na decisão de ontem, o juiz Santini argumentou que a anistia refere-se só a crimes, e não a demandas de natureza civil, como é o caso da ação declaratória, que não prevê indenização nem punição, mas o reconhecimento da Justiça de que existe uma relação jurídica entre Ustra e os Teles, relação que nasceu da prática da tortura.
(…) As testemunhas, que estiveram presas junto com os Teles, disseram que Ustra comandava as sessões de tortura com espancamento, choques elétricos e tortura psicológica. Das celas, relatam que ouviam gritos e choros dos presos.
“Não é crível que os presos ouvissem os gritos dos torturados, mas não o réu [Ustra]. Se não o dolo, por condescendência criminosa, ficou caracterizada pelo menos a culpa, por omissão quanto à grave violação dos direitos humanos fundamentais dos autores”, afirmou o magistrado.
O artigo de Ustra na Folha você encontra lá e nos espaços que defendem os crimes praticados pelo estado sob a ditadura civil-militar, de 1964 a 1985.

CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA, coronel reformado do Exército, foi comandante do DOI-Codi de 29.set.1970 a 23.jan.1974 e é autor dos livros “Rompendo o Silêncio” (1987) e “A Verdade Sufocada” (2006).
Sobre a sentença, nenhuma palavra.
Antônio Mello, em seu Blog

domingo, 25 de março de 2012

Paulinho, Grande Paulinho... por João da Mata Costa


Meu amigo de sebos e bares morreu. Ninguém sabe como. Morando sozinho não
tinha ninguém para testemunhar o triste desenlace. O corpo só foi
encontrado três dias depois da morte. Um grande boêmio conhecia todos os
bares. Inconveniente algumas vezes naquilo que a solidão aporrinha e dói.
Carente nos seus tantos anos de muita farra. Tomava cana e pagava bebida
para todo mundo. Seu ultimo rastro ele deixou no sebo de Abimael quando no
ultimo sábado esteve lá - como sempre fazia - tomando sua caninha com
tangerina. A tangerina ainda estava lá, mas de Paulinho só a saudade e as
muitas lembranças.
Galanteador brincava com todas as mulheres. A algumas ele propunha
casamento. Dizia que daria tudo.  Muito simpático e bonachão, conhecia bem
a cidade que ele sorveu em largos tragos. Caia algumas vezes da cadeira.
Os donos de bar cobravam o que queria por suas doses. No antigo Bar do
Nazi ele tinha a sua cota. Todos nós tentávamos regular a cachaça de
Paulinho. Ele bebia todas e ficava inconveniente a partir da segunda lata
de Pitu. Elogiava o peito da mulher do amigo. Dizia gostar de Lenita.
Outras vezes sacava a plenos pulmões: –  eu quero o seu cú.
Aposentado do Banco do Brasil ganhava bem para viver a sua solidão. De
alguns lugares foi expulso. Certa vez isso aconteceu ao tomar banho nu na
piscina da AABB. Outra vez mijou sobre os pratos vazios e copos de um bar.
– Porra, Paulinho disse um amigo!
E Paulinho ficava só, e sua pena não era maior porque tinha dinheiro para
pagar tudo. Um dos maiores graus de loucura é quando alguém rasga ou joga
dinheiro fora – dizem os entendidos. Certa vez Paulinho foi posto a teste
e alguém o provocou – Quero ver você rasgar dinheiro! Pois, Paulinho
rebolou dinheiro fora em plena Avenida Deodoro. Outra vez amanheceu nu
numa calçada.  Essa mania de bêbado ficar nu e lascivo, nunca entendi.
Enfim, Paulinho foi embora e nos deixou mais só. Alguns ficarão sem sua
dose. Eu ficarei com a sua lembrança mais terna de alguém muito amigo e
solitário. Inconveniente para alguns. Na ultima feira de livro na UFRN ele
tomou todas e falava com cada pessoa ou aluno que transitava nos
corredores. A cidade alta perde um dos seus últimos grandes boêmios.
Aquela laranja ninguém teve coragem de comer. A cerveja de hoje estava
diferente, mesmo com todos os amigos. A caetana esgoelava suas garras.   O
cheiro de morte no ar e esse calor dos infernos de Dante.

Foto: Oswaldo Ribeiro. ORF

quarta-feira, 14 de março de 2012

Milton Siqueira, Poesia em estado bruto. 14 de Março Dia da Poesia, Uma Homenagem do Sebo Vermelho.


Milton Siqueira, libertário, miserável e verdadeiro, produzia versos soltos, alucinantes e cheios de vontades planetárias. Rabiscava em ponta de esquina, dentro de igrejas ou a caminho do mar. Maltrapilho, pedinte vitalício, olhos refratários. Ajuizava e alucinava quem não soubesse do nú e do crú da própria vida. No café "São Luíz", tragava todos os fantasmas, medos e assombrações undeground da província. Atacava com o seu verbo solto, quem lhe apunhalasse desatinadamente. Confessor-mor da dor de quem pede o perdão e de quem trai o próprio sol. Solitário, beberrão e ermitão, navegava com os anjos mentais, atordoando diálogos inter-continentais.
Vagando na noite feito sombra de nós mesmos, não se dispunha ao convívio fácil; gostava mais de besuntar seus cigarros loucos e roucos. Por pouco, em um dia, não extravassou toda a agonia de uma procissão cristã. Costurando corpos e com sua voz gutural, foi fazendo pilheria do que encontrava pela frente. Viveu como poucos. Morreu como todos nós.
Fonte:(Onthee.blogspot.com)

domingo, 11 de março de 2012

UNS POETAS: 45 ANOS DE POEMA/PROCESSO.



Uma homenagem aos 45 anos do Poema/Processo no dia da poesia, com um bate-papo com alguns dos nomes que fizeram parte desse importante movimento literário, tais como Falves Silva, Anchieta Fernandes e Jota Medeiros, em conversa mediada por Dácio Galvão. Após a conversa, exposição de livros/obras do Poema/Processo e coquetel de lançamento dos livros PROJETO 45, de Falves Silva, e AORIGEM DIÁGORA, de Jota Medeiros.
QUANDO? Dia 14 de março de 2012 (quarta-feira), às 9h.
ONDE? Auditório B do CCHLA-UFRN (Em frente à Biblioteca Central Zila Mamede).
Coordenação: Profa. Cellina Muniz (Departamento de Letras da UFRN).
 Apoio: Sebo Vermelho e Sol Negro Edições.