sábado, 25 de junho de 2011

Nos Caminhos de Santa Rita de Cássia







Fotos: Alexandre Oliveira - Santa Cruz do Inharé - Junho 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A cultura pós-guerra na terra do sol






Yuno Silva
repórter

Há um clima de nostalgia no ar. Mais que isso, há todo um sentimento que circula sobre a província para se remontar a memória de uma Natal cosmopolita. Capítulo importante dessa história é a saudosa Sociedade Cultural Brasil-Estados Unidos, que ganha destaque nas páginas do livro "Nos bons tempos da SCBEU - viagem nas memórias dos anos dourados de Natal", do professor Juarez Chagas. O lançamento do título, que sai pela Sebo Vermelho Edições com 600 páginas e cerca de 900 fotografias, será amanhã (sexta, 17) às 18h, no Iate Clube de Natal, embalado pela banda Anos 60.
DivulgaçãoA SCBEU tomavatodo o quarteirão entre a Getúlio Vargas e rua Cel. Joaquim Manoel, no bairro PetrópolisA SCBEU tomavatodo o quarteirão entre a Getúlio Vargas e rua Cel. Joaquim Manoel, no bairro Petrópolis

A publicação custará R$ 50 na ocasião, com direito a autógrafo do autor - depois poderá ser encontrado nas principais livrarias da cidade por R$ 70.

"A Scbeu, criada em 1957, tinha status de academia e sua trajetória se confundiu com a história da própria sociedade natalense na época. Foi lá que funcionou o primeiro cinema driving e a primeira biblioteca da cidade, criada por Zila Mamede em 1958. Sem falar dos intelectuais que participaram da fundação da escola, um ano antes de também fundarem a Universidade Federal", relembra Chagas, exaltando a importância da primeira escola de inglês da capital potiguar. "Gente da alta sociedade, artistas, intelectuais... três gerações estudaram na Scbeu", aponta o escritor, responsável pela edição mais volumosa já publicada pela Coleção João Nicodemos de Lima (326 títulos) do Sebo Vermelho.

Vale registrar que Zila viria a criar a biblioteca estadual Câmara Cascudo em 1969 e a Central da UFRN em 1974. A poeta e bibliotecária, ao lado de outras 42 personalidades do quilate do médico Onofre Lopes; do jurista Edgar Barbosa; do ex-governador Tarcísio Maia; do advogado Dalton Melo; Dom Nivaldo Monte; Humberto Nezi; Otto de Brito Guerra; Protásio de Melo, entre outros nomes não menos importantes no contexto histórico e social da cidade, participou da fundação da escola - que funcionou em um casarão com vista para o mar, no alto da Av. Getúlio Vargas, Petrópolis, próximo ao Hospital Universitário Onofre Lopes, em um terreno que ia até a Rua Cel. Joaquim Manoel (onde hoje funciona o edifício Harmony Medical Center). A escola ocupava um quarteirão inteiro.

A Guerra Fria e o rock and roll

Aluno, professor e derradeiro diretor da Scbeu, que funcionou entre 1957 e 1983, Juarez Chagas chegou a iniciar o livro logo após o encerramento das atividades da escola, mas percebeu "que se escrevesse a história completa seria um livro policial", conta Desistiu por um tempo. Mudou o foco, e só retomou o projeto em 2005: "Preferi ressaltar o lado bom dos tempos da Scbeu", pondera. O livro traz um rico acervo de documentos e fotografias que o autor conseguiu evitar que fossem parar no lixo - o autor tem todos os originais e contou com muitos colaboradores.

Chagas faz referências históricas e culturais para contextualizar o período retratado com o que andava rolando pelo resto do mundo, e lembra que as primeiras bandas de garagem conheceram o rock'n roll através do acervo de LPs e compactos da biblioteca. O pioneirismo da Scbeu também se reflete na realização das primeiras matinês e festas americanas da cidade. "O primeiro Halloween só foi promovido em 1963 devido a resistência das pessoas em comemorar um dia dedicado às bruxas", diverte-se.

A partir do livro de Juarez, pode-se entender como Natal continuou sendo 'bombardeada' pela cultura yankee mesmo depois da Segunda Guerra Mundial: "A Scbeu foi a primeira instituição binacional da cidade (Brasil-EUA), era um pedaço da América do Norte aqui e tudo o que acontecia lá fora chegava à cidade através da escola", garante o autor. "Era uma maneira dos Estados Unidos marcarem presença durante a Guerra Fria com os soviéticos", acrescentou.

Entre a turma roqueira presente "Nos bons tempos da Scbeu..." destaque para o cantor e compositor Leno; Reinaldo Azevedo, da banda Anos 60; os irmão Lima (Fon, Eustáquio e Lóla) d'Os Vândalos; e o jornalista Petit das Virgens, visto em retratos empunhando seu violão. O livro de 63 capítulos também traz 200 depoimentos de ex-alunos, professores e diretores da instituição. "Não tenho dúvidas que se trata de um registro histórico importante para se compreender as transformações e o momento atual da cidade", disse Juarez, com um ar de saudade no olhar.

O outro lado da história

A trajetória da Scbeu também guarda um lado obscuro, mal explicado, sobre a venda do enorme terreno onde funcionou a escola. Situado em área nobre, de localização privilegiada, a propriedade foi alvo da cobiça imobiliária a partir do momento que o governo norte-americano resolveu se desfazer do imóvel.

Segundo o jornalista Petit das Virgens, um dos personagens retratados no livro "Nos bons tempos da Scbeu..." de Juarez Chagas, na época do Governo (Jimmy) Carter, presidente dos EUA entre 1977-81, a política norte-americana entrou em choque com o modus operandi do presidente-general Ernesto Geisel (1974-79). "Estávamos em plena Ditadura Militar e, por conta de questões ligadas aos Direitos Humanos, os Estados Unidos resolveram se desfazer de todas as propriedades no Brasil - o terreno da Scbeu estava no meio dessa história, e o então diretor da escola na época teve a prioridade para comprar ou vender o terreno", lembra Petit.

"Ele (o então diretor) ofereceu a área para um conhecido construtor e político da cidade, que tentou comprar a área direto com a Embaixada Norte-Americana no Recife. Para garantir a prioridade de venda, o então diretor teve que acionar a justiça. Ganhou o processo e no fim das contas vendeu o terreno por um valor bem abaixo do praticado no mercado", disse o jornalista. "O comprador até se comprometeu a construir uma escola em parte da área, como forma de compensar o ótimo negócio, mas ficou só na intenção mesmo. Ex-diretores chegaram, inclusive, a cogitar a abertura de uma auditoria, mas perceberam que as investigações poderiam envolvê-los também.

"Perdemos um importante patrimônio arquitetônico, cultural e educacional em nome da especulação. A Scbeu era um paraíso, verdadeiro filé do ponto de vista imobiliário", garante Petit das Virgens, que chegou a escrever uma matéria na época (dando todos os nomes aos bois) sobre o episódio da venda do terreno, mas lamenta nunca ter sido publicada.

Depoimentos

"Era bom sair pelo portão de trás, descendo a colina através de seu enorme e bem cuidado gramado. Tão grande que, hoje, vários condomínios poluem a paisagem por lá."
Leno, cantor e compositor, aluno do Scbeu entre 1963 e 64.

"Era um dos mais importantes points da cidade na época. Nunca deveria ter se acabado. Este livro será um louvável resgate à sua memória e importante para a história da cidade."
Carlos Eduardo Alves, ex-prefeito, advogado, aluno entre 1973 e 75.

"A minha lembrança mais remota de entrar naquele enorme território, é de quando a meninada da redondeza, com baladeiras e zarabatanas, ia lá para caçar lagartixas e calangos (…) Lembro também daquela biblioteca que abrigava discos de música norte-americana." Luiz Lima (Lóla), instrumentista e compositor, aluno entre 1962 e 73.

"Foi a melhor escola de língua inglesa que tinha em Natal. Merecia todo o apoio da comunidade." Pery Lamartine, escritor e ex-vice-presidente da Scbeu.

Fonte: Tribuna do Norte / Caderno Viver

Serviço: Lançamento dia 17 de junho no Iate Clube do Natal

terça-feira, 14 de junho de 2011

Iaponí Araújo na capa do ctálogo de arte Naif da Christie´s.


A Christie´s, conceituada casa de leilões inglesa, convidou a Galeria Jacques Ardies, de São Paulo, a enviar quatro obras naif de sua coleção para o leilão de arte moderna e impressionista que será realizado no próximo dia 24 deste mês. O encanto dos organizadores com as obras brasileiras foi tanto que a tela João Cambadinho no Reino de Deus, do pintor potiguar Iaponi Araújo, é a capa do catálogo do leilão.
As outras telas que serão leiloadas são Parque Birigüi, de Constância Nery, Algodão, de José Antônio da Silva, e Rio de Janeiro, de Lia Mittarakis.

http://colunistas.ig.com.br/vivimascaro/

O Início do Fim


Sem dizer nada, sem acrescentar nada, um teatro improvisado, palavras desconexas ao vento, a borboleta perdeu sua chance de ficar calada e se complicou ainda mais..o Inicio do Fim, a cerimônia do Adeus.. #ForaMicarla..a cidade de Natal vai esquecer que você passou..

domingo, 12 de junho de 2011

Encontros e Desencontros




Nestas Fotografias encontros inusitados entre Frida Kalo e Josephine Baker, Marlon Brando e Paul Newman, William S. Burroughs and Kurt Cobain,David Bowie, Iggy Pop and Lou Reed,Steve Jobs e Bill gates, Andy Warhol and Alfred Hitchcock e muitos outros encontros e desencontros da história.

confira mais no site:
http://awesomepeoplehangingouttogether.tumblr.com/

Joicircunvoluções Natalenses - Por João da Mata Costa



O Bloomsday faz bodas de prata com upgrade e muitas novidades. Um
projeto do professor Chico Ivan desaguou no Potengi – Liffey. Natal teve
suas vanguardas com a palestra Natal daqui a cinquenta anos do Manoel
Dantas e o poema - processo. Nostros em qquer lugarmediterranicos. Natal
também tem suas graças …. um certo charme na sua decadência. Uma cidade
que sofre com as atuais administrações e com as oligarquias. Nada era
perdido para Joyce e são dos restos que fazemos a sopa de osso ou de
pedra ( mon ami ). Outros disseram de uma terra desolada. O que Joyce
escreveu sobre a Irlanda eu poderia transportar para Natal. Mas, eu não
sou Leopold Bloom e mesmo assim comemoro o bloomsday. A Irlanda também é
bebum e ruidosa. “Terra de uma raça esquecida por Deus e oprimida pelos
padres … a raça mais atrasada da Europa”. Eu também poderia dizer isso
de Natal, mas eu não sou Joyce. Prefiro andar por suas vielas e bares.
Freqüentar o bar de Zé Reeira e tomar uma cerveja com Zizinho, Ronnie
Von e Celina. Adentrar na garçonieri de Abimael e conversar sobre o
próximo lançamento. Lembrar das cervejas tomadas em Maria com todos os
boêmios feitos porcos por Circe.
O Ulisses de James Joyce – o “blue book das eclésias”- é um livro sobre
o amor. Leopold Bloom, o protagonista do romance que revolucionou a
literatura universal, passa o dia perambulando por uma Irlanda (terra da
ira) decadente, e tem consciência da traição de Molly Bloom. São
dezesseis horas e o relógio de cuco toca … e nessa hora vesperal Molly
recebe o amante em casa. “Eles são loucos para entrar de onde eles
saíram”, diz Molly. Oito de setembro é o aniversário de sua amada e 16
de junho foi quando Joyce se apaixonou perdidamente por ela. As datas
são muito importantes para o aquariano Joyce nascido no dia 02 de
fevereiro. O tema do ciúme também está presente na sua única peça
“Exílio” e no último conto de Dublinenses “The Dead” . Um dos maiores
contos do século XX foi levado às telas por John Huston com o título “Os
Vivos e os Mortos” (EUA 1987). No Ulisses, Joyce fala muito através dos
sons. O leitor sente prazer e dor ao ouvir o som da trombeta, o suspiros
das folhas, o ruído do mar e o som da água escoando no ralo da pia em
espiral. A polissemia das palavras valise, da palavra montagem, da
palavra ideograma encadeando novos sentidos. Joyce é um alquimista da
palavra e a linguagem é o personagem principal desse imenso cipoal cheio
de ruídos e labirintos que é esse enciclopédico romance Ulisses.
“ Deus é um barulho na rua”. “Todos esses ruídos convergiram numa única
sensação vital para mim: imaginava conduzir meu cálice incólume, através
de uma multidão de inimigos”. Durante o dia 16 de junho Bloom chega a um
estado mental que é mais abnegação do que ciúme. Joyce evoluiu no
tratamento desse tema desde suas primeiras criações literárias. É com
uma grande pulsão verbal com que Joyce fala do amor numa feerie carnal
pulsipulso. “Ele beijou os fornudos ricudos amareludos cheirudos melões
do seu rabo, em cada fornido melonoso hemisfério, na sua riquêga
amarelêga rêga, com obscura prolongada provocante melonicheirosa
osculação”. Ao fim do episódio de Nausícaa (cap.13), o “relógio de cuco”
informa a Bloom que ele é agora um corno. Cuco, cuco, cuco… cukoo-cloc;
relógio de cuco e cuckold- corno. No final, Ulisses “retorna” para casa
(Ítaca) e encontra Penélope (cama). A mulhervaginabismo onde o homem se
perde e jamais retorna. O romance encerra com um pungente monólogo de
Molly Bloom. “yes, I said yes I will Yes oui jái dit oui je veux bien.
SIM EU QUERO SIMS.
Vagueando por Natal tenho o meu Johnsday. No restaurante da universidade
converso sobre Flaubert. Um grande escritor admirado por Joyce. Alguém
que buscou a impessoalidade na sua literatura. Em Joyce, impossível
separar a vida do opus. No cemitério do Alecrim entro no reino de Hades
e rezo um cantochão na igreja do Galo. Lanço as cartas do Tarot e tiro a
carta 15. Blake e “A Canção dos Loureiros” do Édouard Dujardin. Sigo o
fluxo de consciência. Caminho por suas ruas e vielas esburacadas très
bian aussi. Lembro da escola de pé no chão nas Rocas e da fábrica de
pregos das Quintas onde fui menino. Depois olhar o Potengi e namorar na
pedra do Rosário. Em Ponta Negra bato uma brahma. Na Padre Pinto, saindo
do bar do coelho, olho o rio que parece o Liffey. Molly Bllom nessa hora
deve estar me traindo. Capitu also e Otelo coitado. São quatro horas e
nessa hora alguém está sendo chifrado. Tudo que é proibido é bom. Clô
telefona para falar de Shakespeare e de Hamlet, a Monalisa da literatura
: Words, words, words….cama camisola ave Maria cheia de graxa. Lê em voz
muito alta o Finnegans Wake. Literatura de notívagos e bruxos. Fim again
Fim . Nunquam satis discitur. O eterno ciclo viquiano do movimento
circular divino. Só com compaixão, humor e lirismo vamos conseguir
sangrar os mares desse Potengi desmamado e poluído numa das esquinas do
mundo onde meu amigo “foi feliz e se deu bem”. Parafraseando Stephen
Dedalus no Retrato do Artista quando Jovem, de James Joyce, referindo-se
á Irlanda, eu diria de Natal (eu que já sou meã ): “ Natal é uma porca
velha que devora suas crias”.