domingo, 16 de junho de 2013

Um virgulino de corpo e alma.. Mais uma grande reedição da Coleção João Nicodemos de Lima sobre o Cangaço.




Lampeão Sua História é a primeira biografia do rei do cangaço, publicada em 1926, no governo de João Suassuna, pai Ariano, que patrocinou a editoração, como Governador  do Estado da Paraíba.
O escritor e jornalista Érico de Almeida escreveu 14 capitulos sobre a presença de Lampião na Paraíba, Pernambuco, Ceará e Alagoas. O primeiro capitulo é só elogios ao presidente Suassuna, chamando-o de O Anjo do Bem, O Salvador de Flores  e o  ultimo é o depoimento de Antonio Silvino sobre Lampião. Em 1925 o coronel Jose Medeiros de Siqueira Campos, chefe político de Flores, visitou Antonio Silvino na cadeia do Recife. Após variada palestra diz Silvino para seu ilustre visitante: “ – Coronel, dê-me  notícias de Lampião. – Lampião, retorquiu o coronel Medeiros , Lampião anda danado pelo navio a cometer horrores. Silvino baixou a cabeça, parecendo refletir profundamente .  Após uns momentos reergueu-a  e dando um suspiro disse: Lampião, Coronel  é um príncipe. Eu é que não soube  ser cangaceiro...”
O livro de Érico de Almeida tem a origem do apelido Lampião, a morte do coronel Luiz Gonzaga, da cidade de Belmonte, em 1922.
No final tem uma relação de vitimas de Virgulino Ferreira, de 1921 à 1925. 98 mortos em Pernambuco e 17 em Alagoas.
É mais uma raridade da bibliografia do cangaço que o Sebo Vermelho reedita em edição fac-similar, para o conhecimento das novas gerações.

Abimael Silva
Sebista e Editor

Uma história de tirar o fôlego.. Cabeleira, uma jóia da Literatura do Cangaço.



O sangue escorre na faca afiada de Cabeleira. Nem por isso, menos ternura. Eis aqui uma versão do cabra na voz de Franklin Távora. Contemporâneo de Visconde de Taunay, José de Alencar, Machado de Assis e Joaquim Manoel de Macedo, Franklin Távora foi um dos criadores do romance regionalista com a publicação de O Cabeleira em 1876( que o Sebo Vermelho reedita no presente momento). Nesse romance, narra as aventuras e desventuras do cangaceiro José Gomes na cidade do Recife do século XVIII. Trata-se do primeiro registro da literatura brasileira a ter um cangaceiro como personagem central.
Cearense do Maciço do Baturité, terra de gente invocada, João Franklin da Silveira Távora nasceu no dia 13 de janeiro de 1842 e faleceu no Rio de Janeiro em 18/08/1888. Fez os primeiros estudos em Fortaleza e se formou em Direito no Recife, em 1874, quando passou a residir no Rio de Janeiro.
Em 1870 fez cerrada campanha contra o conterrâneo romancista José de Alencar, por não concordar com seu romantismo idealista.
Publicou os seguintes títulos:" A trindade maldita" (contos, 1861), Um mistério de família (1861, drama), "Os índios do Jaguaribe" (1862, romance histórico); A Casa de Palha (1866, romance); " Um casamento no Arrabalde" (1869, romance); " Três lágrimas" (1870, drama); "Cartas de Semprônio a Cicinato", (1871); "O Cabeleira" (1874, romance); "O matuto" (1878, crônicas); "Lourenço" (1878, romance); "Lendas e tradições do Norte" (1878, folclore); "Sacrifício" (1879, romance).
A dureza do sertâo, do sol seco e salgado, do espinho do mandacaru à sombra do urubu, de repente, ganham outras matizes nas palavras de Franklin Távora: um QUÊ de doçura de rapadura, um QUÊ de mel de jandaíra, UM AQUELE de paixão que não se resolve.
Mais uma leitura para quem aprecia/detesta/espreita o CANGAÇO.
Abimael Silva - Sebista e editor

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Segunda Feira, Abimael estará completando seu Cinquetenário, toda a cColeção João Nicodemos de Lima estara sendo comercializada com 50% de desconto, .. Somente segunda dia 13 de maio de 2013.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Dia da Poesia.. Lugar de Poesia é na Calçada. Todos convidados.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Você ainda reza?...Sim..quando escuto Bach..Assim é Vulpiano Cavalcanti, o homem e a história. Relançamento pelo Sebo Vermelho.


Vulpiano Cavalcanti, um homem de aço

Natal, dezembro de 1988.
Vulpiano Cavalcanti apareceu em Mossoró, vindo de Areia Branca, onde conquistara, em brevíssimo tempo, fama de grande médico, de milagroso cirurgião, de amigo dos pobres. E de comunista.
Conheci-o apresentado pelo advogado Raimundo Soares de Souza, futuro deputado federal, prefeito de Mossoró e criador da Universidade mossoroense.
Fizemos pronta camaradagem. Eu era ainda muito moço, quase menino. Vulpiano me ouvia com condescendência, fazia proselitismo. Discutíamos idéias. Ele, evidentemente, muito mais preparado, muito mais treinado para os debates nas saudades mesas dos desaparecidos - por quê? - cafés da cidade.
Achava-me por demais preconceituoso, embora eu quisesse mostrar abertura a qualquer idéia. Recordo que foi dele que recebi o livro de Roger Martin du Gard, O Drama de Jean Barois. Na dedicatória, notavelmente irônica, ele dizia que aquele era também o meu "drama".
Amistamos enquanto ele viveu em Mossoró, com um prestígio em grande ascensão.
Depois, mais raramente, nos vimos em Natal. Creio que não me encontrava com ele há uns bons 30 anos. O tímido irrecuperável não se encorajava a ir interrompê-lo na sua faina e impor-lhe uma amizade que ficou na adolescência de flores, quimeras e palavras de ordem.
Acompanhei, contudo, a sua vida, muito rica e aventurosa, com curiosidade. Vi-o chamado pela grande imprensa de representante de Luís Carlos Prestes no Nordeste. Soube de suas inumeráveis prisões. Não no autoritarismo que sucedeu ao golpe militar de 1964. Antes dele. No governo falsamente democrático do marechal Eurico Gaspar Dutra. Até no qüinqüênio liberal de Juscelino Kubitsckek. Era preso e, invariavelmente, torturado. Surravam preferencialmente as suas mãos mágicas, seus dedos hábeis, para que não voltasse a ser o exímio cirurgião que sempre foi.
Uma vez, ouvi de Luiz Maranhão Filho, que foi "desaparecido" no reinado dos atos institucionais hoje recordados com saudade pelo coronel Jarbas Passarinho, falso cristão novo da nossa tíbia democracia, ouvi de Luiz, o grande e saudoso Lula, que está carecendo receber a homenagem de respeito e de saudade do Rio Grande do Norte, como Vulpiano se comportava nas prisões. Não perdia o humor, brincava com os companheiros de cativeiro, gozava os algozes. Submetido a torturas terríveis, inimagináveis, ferozes, Luiz me dizia que todos presos falavam alguma coisa, inventavam alguma coisa para despistar e atender à ferocidade dos torturadores.
- Menos Vulpiano. Ele não diz nada. Não tenta nem despistar. Recusa-se a falar. Ironiza os bichos da tortura e continua, placidamente, reiterando suas idéias. Um monstro!
Pois foi o monstro sagrado que agora morreu. No seu Ceará. Longe da cidade do Natal de sua eleição. Deixando atrás dele um prestígio que nunca diminuiu. De homem de idéias firmes, inabaláveis. De homem de aço. E, no entanto, um homem visceralmente simples, compreensivo, bom. Amigo de todos. Até dos adversários mais impiedosos. Sempre risonho, afável, mobilizado. Médico e comunista. A profissão e sua opção política se completavam, se entrelaçavam. Um revolucionário sem ferocidade, meigo, atencioso, muito educado.
Os últimos anos de vida de Vulpiano Cavalcanti foram de consagração. Não havia duas opiniões sobre ele. Natal que desbota, desgasta, mediocriza, não consagra nem desconsagra ninguém, segundo frase ora atribuída a Câmara Cascudo, ora a João Medeiros Filho, consagrou Vulpiano Cavalcanti. Concedeu-lhe o respeito que ele merecia e a estima da qual era credor.
Sem precisar renunciar às suas verdades, sustentando-as com o ardor da distante mocidade, Vulpiano Cavalcanti, assim mesmo, por isso mesmo, era amado.
Morto Vulpiano, "desaparecido" Luiz Maranhão Filho, ser comunista, em Natal, perdeu a graça.

Dorian Jorge Freire.
Jornal O Mossoroense