sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

LANÇAMENTO DAS TAMATARANAS DO EX DEPUTADO FLORIANO FOI UM GRANDE SUCESSO!






LIVRO DO EX DEPUTADO FLORIANO BEZERRA FOI SUCESSO

FIM DE FESTA MELANCÓLICO




Michelle Ferret - Repórter

“Tenho a sensação de um aborto”, descreveu o ator e professor de artes cênicas Jonas Sales ao receber a notícia de que a Festa do Menino Deus (auto de natal promovido pela Fundação José Augusto) não aconteceria mais. Depois de seis meses de produção e quase dois de trabalhos cênicos diários, a Fundação José Augusto precisou interromper a festa alegando falta de verba.
Jonas, assim como os mais de 150 artistas que participavam da preparação da Festa, sentiram na pele a ausência de uma política cultural sólida e planejada. “A partir do momento que um governo desmonta um espetáculo quando está prestes a estrear, a sensação é essa, de perda, de desolamento. Estamos desolados enquanto artistas”, desabafou Jonas.

A notícia veio através do próprio diretor da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, que na tarde da última terça-feira foi até o ensaio explicar o que havia acontecido. “O orçamento do espetáculo era de R$ 500 mil reais e entramos com a solicitação de recursos ao conselho de desenvolvimento do Estado pois não tínhamos mais verba na Fundação e o pedido nos foi negado. Não posso fazer julgamento de valor, me cabe apenas dizer que não foi liberado. Esse é um reflexo da dificuldade financeira que o Estado vem passando. Mas não é só aqui, isso está acontecendo em todo o Brasil e no mundo. E em cultura, infelizmente temos que lidar com isso. Se tira verba da cultura para suprir as necessidades das outras áreas como saúde e educação”, disse Crispiniano em entrevista ao VIVER.

A realidade também bateu na porta de outros projetos da cidade como o Seis e Meia que precisou ser interrompido em outubro. “Suspendemos o projeto de outubro, novembro e dezembro e estamos lutando para pagar o que devemos para os músicos”, disse Crispiniano.

A Fundação José Augusto teve em mãos este ano R$ 22 milhões, sendo R$ 18 milhões destinados a suprir custos internos do órgão. “Nossa luta é que seja concretizada a nova proposta no Governo Federal de implementar a lei de destinar 1,5% do orçamento da união para os estado. “Se for concretizado, passaremos de R$ 22 milhões para R$ 110 milhões de verba anual destinado a cultura do RN. Isso modificará completamente este quadro difícil que temos hoje. Aí sim poderemos planejar uma política cultural mais sólida. Ao contrário é a eterna mendicância, vamos mendigar recursos a vida inteira. Isso é massacrante, é cruel”, desabafa.

Além de gestor, Crispiniano é também autor de textos literários e diz sentir a mesma perda de Jonas (o ator citado no início da matéria). “Ontem, conversando com os atores, eu senti a mesma estranheza de quando há 4 meses eu ouvi que o Auto da Liberdade de Mossoró não seria concretizado. Eu, como autor do auto, fiquei perplexo. Posso dizer que dar essa notícia aos atores ontem foi o dia mais triste da minha gestão”, completou.

Encaixotando os figurinos

O bater do martelo anunciando o cancelamento de um espetáculo reflete em um conjunto de desilusões e desconstruções. Não só o tempo gasto com os ensaios e a construção de um personagem, mas o todo que isso envolve. “Isso fere a classe artística inteira. É muito triste ver pessoas que iniciaram agora na arte e se sentem frustradas. O espetáculo educa artista, educa público e foi muito frustrante ver aquelas pessoas tristes, chorando por isso. Foi uma das perdas mais comoventes de minha vida enquanto artista e isso inclui fortemente ver a cena dos atores, bailarinos e quadrilheiros desiludidos”, disse Jonas Sales.

Segundo João Marcelino, diretor do espetáculo, estavam envolvidos 150 artistas entre atores, cantores, quadrilheiros, técnicos, contra regras, criadores de imagem, produtores e figurinistas. “Estavam trabalhando Haroldo Maranhão na construção e desenho do cenário, Racine Santos na assinatura do texto e Danilo Guanais na construção musical. O projeto começou há seis meses. Desde a conversa com Danilo Guanais e o tempo longo para trabalhar a música, até a construção do próprio Racine e as mudanças no texto. É um processo muito intenso. Além disso, os figurinos, mais de 30 desenhados e aquarelados estão todos prontos. Quando a gente chega na parte do ator tudo isso já está levantado. E com a força de todos, Wanie Rose coreografando, a gente trabalha a tal ponto que estávamos com tudo pronto, incluindo aí adereços e figurinos”, contou João Marcelino.

Trabalho dos técnicos

Dentro dos 150 artistas estavam cinco pólos de quadrilhas estilizadas e os artistas pessoal do Circo Grock, além de atores de diferentes cidades do Rio Grande do Norte na intenção de “descentralizar” a arte. “Vieram artistas de Currais Novos, artistas de Mossoró e de outras partes, envolvendo o Estado”, disse Marcelino.

Ao todo, seriam cinco apresentações no Largo Dom Bosco que aconteceriam entre os dias 26 a 30 de dezembro. “Fizemos a escolha das datas para que não houvesse choque na programação com os outros autos”, disse João Marcelino.

Crispiniano Neto informou que a Fundação José Augusto está estudando uma forma tentar ressarcir as perdas causadas para os atores e todos os envolvidos na produção.

Fonte: Tribuna do Norte 10/12/09

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Capas clássicas da bossa nova ganham exposição em SP



A partir da próxima quarta-feira (9), começa em São Paulo a exposição “Elenco – A Cara da Bossa” no Instituto Tomie Ohtake, com capas clássicas de discos lançados pela gravadora entre os anos de 1963 e 71.

Com curadoria de Marcello Montore, a mostra poderá ser visitada até o dia 10 de janeiro. A coleção reúne 75 dos trabalhos mais marcantes da gravadora, que lançou álbuns de nomes como Tom Jobim, Maysa, Baden Powell e Nara Leão.

Até 1964, o responsável pelos projetos gráficos dos discos da Elenco era Cesar Villela. Após mudar-se para os Estados Unidos, as capas passaram a ser feitas por Eddie Moyna, Ronald Lins e Lincoln Nogueira.

EXPOSIÇÃO “ELENCO – A CARA DA BOSSA” EM SP

Quando: de 9 de dezembro a 10 de janeiro (visitação de terça a domingo, das 11 às 20h)
Onde: Instituto Tomie Ohtake (Av. Faria Lima, 201, Pinheiros)
Quanto: entrada franca
Informações: (11) 2245-1900

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

RARIDADES E PRESEPADAS DOS SEBOS MUNDO AFORA






PROJETO NAÇÃO POTIGUAR COMEMORA 8 ANOS E TRAZ MÔNICA SALMASO A NATAL



Na edição do dia 4 de fevereiro de 2002 do “The New York Times”, o crítico Jon Pareles cita a cantora Mônica Salmaso como um dos principais nomes surgidos recentemente na música popular brasileira. Mais do que uma citação para o currículo musical, a referência serve para exemplificar o prestígio que a cantora conquistou no mercado internacional — muito além de uma simples nova voz da MPB. Casada com o saxofonista Teco Cardoso e parceira de grandes artistas da música brasileira, Mônica Salmaso é o nome escolhido para comemorar os 8 anos do projeto Nação Potiguar, dia 8 de dezembro, a partir das 18h30, no auditório da Fiern (av Senador Salgado Filho, Casa da Indústria).

A noite contará com abertura de Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz. Mônica se apresentará acompanhada de Teco Cardoso (sopro) e de Nelson Aires no piano. A entrada é franca e os ingressos devem ser retirados na Pax Turismo do CCAB Petrópolis (Av Afonso Pena), no dia do show.

Fonte: Tribuna do Norte

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

SEBO VERMELHO LANÇA O LIVRO DE MEMÓRIAS DO EX DEPUTADO FLORIANO BEZERRA DE ARAUJO.



Eu, Juliano Homem de Siqueira, te conheço,
e tua luta, desde os anos sessenta.
Éramos, então, quase crianças. Corriam
tempos de esperanças e estavas na condição
de Deputado Estadual.
A ausência de Luis Maranhão, para nós,
jovens comunistas, numa Assembléia
maioritariamente conservadora, era um
motivo de profunda tristeza.
E fomos a assistir os debates e a luta
parlamentar. Com seus limites e, também,
com a grandeza dos poucos bons.
Cesário Clementino (líder ferroviário) nos
dizia das reformas de base. As bancadas
aliadas ao Presidente Jango faziam o
discurso das transformações necessárias ao
País.
Trecho da orelha do livro.

GOVERNADOR ARRUDA DECLARA SEU AMOR POR JOSÉ AGRIPINO



A palestra do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, no seminário de gestão municipal foi marcada por um agradecimento especial ao senador José Agripino e pela defesa da coragem na administração pública. Arruda, que é hoje um dos governadores mais populares do Brasil, lembrou que, no momento em que passava dificuldades na carreira política recebeu a pronta solidariedade de Agripino.


“Os grandes amigos não são os da hora da vitória, mas da dificuldade. No mais alto da minha carreira cometi um erro. Ele teve coragem de me acolher com sua amizade e com seu apoio. No período em que ninguém queria falar comigo, ele me chamou para um café.Por causa desse café, estou aqui”, relembrou o governador.

domingo, 29 de novembro de 2009

LANÇAMENTO DO LIVRO BAR DE FERREIRINHA 50 ANOS EM NATAL FOI SUCESSO






Centenas de pessoas compareceram ao evento, realizado no Terraço Petiscos e Grelhados, em Capim Macio.
Os autores, Clóvis Pereira Júnior (Pituleira) e Roberto Fontes, deram dezenas de autógrafos aos membros da colônia caicoense em Natal e a vários outros convidados.
Da classe política, passaram pelo lançamento do livro o senador Garibaldi Filho, a deputada federal Fátima Bezerra, o deputado estadual Nélter Queiroz e o prefeito de Jucurutu, Júnior Queiroz.
O editor Abimal Silva, feliz da vida com o sucesso do livro, reiterou que das edições que o Sebo Vermelho fez neste ano de 2009, a do livro Bar de Ferreirinha 50 Anos - Desde 1959 foi a que alcançou o maior sucesso de vendas.

sábado, 28 de novembro de 2009

UM HOMEM E UM JORNAL CHAMADO PORCARIA



Otávio Frias Filho é um cafajeste. A edição da Folha de S. Paulo de hoje, aquela que trouxe como não quer nada uma acusação-bomba ao presidente da República, assinada por outro cafajeste, é uma tentativa mal disfarçada de “malandragem” jornalística.

Não leio a Folha faz tempo, por isso. Não assino o UOL. Não compro nenhum produto do grupo Folha. Fiz isso muito antes que outros blogueiros esperneassem contra o jornal. Se tiver de ler algum jornal, leio o Estadão. O Estadão não disfarça. É um jornal conservador. Defende interesses conservadores. A Folha é um jornal dirigido por um cafajeste. Um cafajeste medroso, que não tem coragem nem de assumir suas posições políticas claramente. Um cafajeste que se apresenta como “neutro”, “imparcial” e outras safadezas do gênero.

Por dever de ofício, peguei a edição da Folha de hoje, emprestada de um amigo. O jornal dedicou espaço em três páginas para atacar o filme sobre Lula. Está claro, para quem é do ramo, que a Folha quis enfeitar o pavão em torno do artigo do César Benjamin. Que é um cafajeste, simples assim, por ter feito uma acusação gravíssima contra um presidente da República sem apresentar provas, sei lá com qual objetivo político. Inveja? Dor de cotovelo? Ódio ideológico?

Mas volto ao jornalismo cafajeste da Folha: se o jornal de fato pretendia investigar o assunto, poderia muito bem ter publicado a denúncia como manchete de primeira página. Mas, se fosse assim, ficaria muito claro o jogo político. E a Folha se exporia. O que fez o jornal? Cercou o texto de César Benjamin de outras reportagens sobre o filme “O Filho do Brasil” e, como quem não quer nada, deixou a acusação flutuando no meio do texto.

Dois colegas jornalistas disseram que começaram a ler o texto de Benjamin mas desistiram no meio: era muito chato. Só ficaram sabendo da acusação na internet. Que, presumo, foi justamente o objetivo: agora os textos de “Dilma, terrorista” vão acompanhar os de “Lula, estuprador”, nos e-mails que se espalham pelo mundo e ganham destaque especialmente nos chats e nos sites de relacionamento. É a propaganda eleitoral do século 21.

Sei do que estou falando: desde que o Viomundo tocou no assunto, recebi uma onda de comentários sustentando as acusações contra o presidente da República, de “leitores” que nunca estiveram no site. É, presumo, a turma encarregada de espalhar a “acusação” contra Lula, de dar pernas à versão assinada por César Benjamin. Ele é a Miriam Cordeiro, versão 2010. Faz parte dos que pretendem detonar o filme com o objetivo de evitar que Lula, lá adiante, transfira votos para a ministra Dilma Rousseff. Evitar que o “estuprador” eleja a “terrorista”. Isso dá uma medida do desespero que essa possibilidade, cada vez mais factível, causa. E é na hora do desespero que os cafajestes se revelam.

PS: Um dos jornalistas com os quais conversei a respeito, leitor da Folha há décadas, me disse: “Vou cancelar a assinatura. Agora deu.”.

DO BLOG DE LUIZ CARLOS AZENHA

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O PUBLICITÁRIO MARIO IVO FALA SOBRE A DECORAÇÃO NATALINA

Jornalista comenta decoração natalina da cidade

O jornalista Mário Ivo comenta em seu blog(www.embrulhandopeixe.blogspot.com) artigo sobre decoração natalina da cidade. O muitasoutras.com.br reproduz o texto:

"Pois: se um marciano numa noite, tarde, manhã de verão aportasse por estas ribeyras muito se maravilharia com encantos que desconfio noutras terras não existem. A começar pela decoração de Natal deste ano – ano este, diga-se de passagem, que finda em seus estertores e suspiros finais com a sofreguidão dos assuntos mal-resolvidos, o que inclui quem apóia quem em 2010.

Mas, nunca é demais falar da decoração natalina 2009, que mistura o chocolate quente de Gramado com as quenturas dos Currais Novos, numa liga que não condiz nem a um nem a outro. Nosso amigo marciano, aliás, estacionariseu disco voador tranquilamente em qualquer um dos lados da Avenida Afonso Pena, nossa Oscar Freire local, já que o propagandeado Via Livre prefere dar polpudos prêmios jornalísticos [sic] invés de realmente ser implantado onde mais se faz necessário.

O secretário municipal de serviços urbanos já declarou que “basta que a população aguarde a decoração ficar pronta”, numa lógica sem lógica que o produto final vai ficar melhor que o (péssimo) impacto inicial.

Pois, flanando pela Afonso Pena, entre um ligeirinho e outro, cada um dirigindo pior, nosso marciano já pode observar que todo o troço vai ficar ainda mais horroroso. Anjinhos encarnados, dependurados nas árvores, dividem os galhos com sóis, que alguém mais atento já acenou para a possibilidade de estarem sob o efeito de qualquer substância ilícita e entorpecente.

– Emaconhados – como se dizia uma época, sem meias-tintas, enfim.

O pior é que o pessoal da Semsur alertou que a equipe de designers [sic] está aqui desde maio, preparando essa marmota (não há termo melhor, nem mais nordestino).

O marciano também vai se inteirar que o tema do Auto de Natal deste inesquecível Zero-Nove será “Maria, José e o Menino Deus”, o que é de uma originalidade imensurável. Os direitos de transmissão para o SBT devem estar assegurados, seguindo o raciocínio do autual, digo, atual presidente da Funcarte.

O marciano também vai se maravilhar com o fato de que a poda das árvores da Afonso Pena também está sendo feita concomitante ou após a implantação dos penduricalhos, o que prova que a amizade desta Cidade com Portugal vai de vento em popa.

Na contramão da burrice, o marciano há de passar na Banca de Tota – que ele, a propósito, pensará ser a única existente na City, enquanto citada por dez entre dez colunistas e blogueiros (não é engraçado ler notinhas tipo “a última Vogue está uma maravilha e já chegou na banca de Tota”? – como se não chegassem, esta e outras publicações, nas demais bancas). Pois, lá na banca Cidade do Sol, o marciano vai saber que vem novo jornal por aí, nova revista por aí, e novas eleições ano que vem. Também.

Só não vai saber que tampouco há novidade alguma nisso tudo ou em nada disso, pois não é do hábito dos nativos se empapuçarem nem de Iessiênin, quanto menos de Giuseppe Tomasi di Lampedusa – “Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude” (e, no original, pra eu me mostrar: “Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi” ). Pois.

sábado, 7 de novembro de 2009

Bar de Ferreirinha 50 Anos - Desde 1959




O livro Bar de Ferreirinha 50 Anos - Desde 1959, lançado domingo em Caicó, teve ótima receptividade e foi um sucesso retumbante de público e crítica.

Desde às 10h da manhã, centenas de clientes e amigos do Barse concentraram nas tendas ao longo da Otávio Lamartine, para comprar o livro, degustar uma cerveja gelada e jogar conversa fora.

A festa foi animada pelo Bloco do Magão, com um ensaio e uma prévia do melhor carnaval de rua do Rio Grande do Norte.

Também houve apresentações da Roda de Samba Caicó, Maluquinho do Brega e de João Damásio, o Roberto Carlos do Sertão.

Entre as atrações não programadas, destaque para a canja de Marcelo Medeiros e a dança de Nelhão Benévolo, num show de equilibrismo sobre dois cambitos.

Possivelmente ainda esta semana tem vídeo da performance dele aqui no Bar de Ferreirinha: dependemos apenas da entrega do material pelo cinegrafista amador Augusto Dias.

O editor Abimael Silva, do Sebo Vermelho, ficou impressionado com a receptividade do livro na comunidade caicoense, e está propenso a fazer um lançamento também em Natal, onde a comunidade caicoense tem quase a mesma população de Caicó.

Segundo Neto de Julinda, chefe da Agência do IBGE, a população real de Caicó é de 1 milhão e 263 mil habitantes, dos quais 1 milhão e 200 mil estão espalhados pelo mundo.

Aproveitamos esta oportunidade para agradecer:
- aos amigos e amigas que colaboraram na edição cedendo fotos, ajudando na identificação dos personagens e comprando o livro;
- aos músicos que participaram da festa;
- a Nina Rizzi e sua filhinha Lavínia, pela presença estonteante e animada;
- ao pessoal do buteco, Ricardinho e Rinley à frente, que se esmerou para que não faltasse nada desta vez - e não faltou;
- à MC Telecom, de Marlon Cunha, que possibilitou a transmissão da festa ao vivo pela internet;
- a Dadá Costa e Rubinho Lucena, da Cachaça Samanaú e do Restaurante Xique Xique, respectivamente, pelo apoio cultural ao projeto;
- e ao Comendador Ferreirinha que, se não tivesse fundado o Bar há 50 anos, não teria possibilitado esta confraternização.

Pedimos desculpas aos clientes e personalidades que não figuraram nas galerias: o nosso objetivo era publicar o maior número de fotos possível, mas houve omissões motivadas por problemas técnicos ou de edição.

Lamentamos profundamente as lacunas, que serão preenchidas oportunamente com a publicação das fotos na internet ou numa segunda edição... quem sabe?

O álbum do lançamento, com dezenas de imagens dos participantes da festa, inclusive para download, você confere clicando aqui.

Um abraço carinhoso,

Roberto Fontes/Pituleira

terça-feira, 27 de outubro de 2009

BAR DE FERREIRINHA 50 ANOS SERÁ LANÇADO EM CAICÓ EM GRANDE ESTILO

FALVES SILVA...6.6 DE ARTE...







“Pintor surrealista em 1966, poeta/processo a partir de 1967, Falves Silva, em apenas dez anos de atividades experimentais no interior de uma forte especulação (anti)literária, conseguiu se firmar como um dos maiores produtores contraculturais brasileiros do momento. Seus poemas e sua lucidez crítica e produtiva colocam-se no centro da vanguarda a mais militante possível, entre nós, de Anchieta Fernandes a J. Medeiros, de Dailor a Wlademir Dias-Pino. (...) E Falves Silva é um produtor, com os olhos voltados para o alcance (estético) da produtividade, seja em sua vertente formalista, seja em sua vertente estrutural. (...) Falves Silva é um produtor, repitamos: ele não “cria” poemas, o que seria cair no vício humanista da “criação” idealizada segundo padrões acadêmicos; ele produz poemas, o que implica a materialização de linguagens que existem dentro de um contexto social determinado. O poema, materialmente proposto, tem uma vigência histórica que é também cultural.”



MOACY CIRNE,

em A POESIA E O POEMA DO RIO GRANDE DO NORTE (Natal: Fundação José Augusto, 1979, p. 33-36)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA I FLIPA





TODOS OS DIAS OS SEBO VERMELHO ESTARÁ RECEBENDO AMIGOS
PARA LANÇAMENTOS DA COLEÇÃO JOÃO NICODEMOS DE LIMA.
ABAIXO A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO EVENTO:


I FLIPA: FESTIVAL LITERÁRIO DA PRAIA DE PIPA
PROGRAMAÇÃO

QUINTA, 24 DE SETEMBRO DE 2009

09h às 10h — Tenda
Pipinha Literária: “Entre livros”
Conversas com autores locais, lançamento de livros e rodas de leitura abordando textos literários para formação de leitores. Participação de dois importantes escritores de livros infantis: a professora Salizete Freire Soares, que escreveu “Bicho Pra Que Te Quero”, “Mundo Pra Que Te Quero” e “Vida Pra Que Te Quero”; e o jornalista Juliano Freire, autor de “Pereyra o menino bom de bola” e “Doninha e o marimbondo”.

10h às 11h — Tenda
Pipinha Literária: “Poesia”
A professora de Letras e Arte-educadora Maria Magna Costa Fernandes falará sobre poesia e as múltiplas possibilidades da leitura através do texto poético.

14h às 15h30 — Tenda
Pipinha Literária : “Praticando a Leitura e a Escrita”.
Oficina de leitura e escrita que aborda, com criatividade e simplicidade, textos literários marcados pela imaginação e fantasia, sob a coordenação do professor Rômulo Augusto Soares Gurgel, graduado em Letras – UERN e especialista em Educação de Jovens e Adultos - UFRN

16h30 — Sede da ong Educapipa
Oficina de Criação literária de Raimundo Carrero (1º dia)
Para o escritor pernambucano Raimundo Carrero, a intuição tem grande importância na qualidade de um livro e não há regras para a criação. Mas existem técnicas que ajudam, e muito, na produção literária. São essas técnicas presentes na obra “A Preparação do escritor”, resultado das oficinas literárias concorridíssimas que o escritor vem realizando por todo o Brasil. Aqui, a oficina é voltada a estudantes e consiste em exercícios intensivos e leituras. Autor de quinze livros de ficção e com vários prêmios na estante, o romancista e jornalista, tem como obras de destaque Somos Pedras que se Consomem (1995), com a qual ganhou os prêmios Machado de Assis e APCA; As Sombrias Ruínas da Alma (1999), Prêmio Jabuti; e ainda Ao Redor do Escorpião…Uma Tarântula?.

17h30 – Tenda literária
Mesa 1: “Clementino Câmara: Do nascimento em Pipa à Censura do Estado Novo”
Foi “cascavilhando” estantes que o escritor e professor Geraldo Queiroz encontrou a tal geringonça. Em vez de coisa malfeita, nela continha a riqueza intelectual e as idéias de um mestre à frente do seu tempo. “A Geringonça do Nordeste – A Fala Proibida do Povo” é, portanto, o ponto de partida para se resgatar e discutir a obra de Clementino Câmara, nascido na região de Pipa, escritor, professor autodidata em Natal e autor de uma obra que mostra a importância da fala do povo na construção da nossa história contemporânea — obra esta censurada durante o regime do Estado Novo. Acompanhando a trajetória de Clementino e fazendo a mediação estará o professor Humberto Hermenegildo, professor universitário e pesquisador no Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses.

18h00 — Tenda literária
Abertura oficial do I Festival Literário da Pipa-Flipa, pela Excelentíssima Governadora Wilma de Faria

19h00 — Tenda literária
Mesa 2: “Literatura e Viagens”
Para quem nasceu na Etiópia, morou na Itália e cresceu no Brasil, falar de viagens e livros é como falar de si mesmo. Exímia contadora de histórias, a escritora Marina Colasanti falará de si mesma ao partir nesta viagem literária tendo como mediadora a jornalista potiguar Josimey Costa, diretora da Tv Universitária/Cultura e professora de Cinema do curso de Comunicação Social da UFRN. Na rica bagagem desta ilustre senhora de 72 anos estão 33 livros publicados, entre contos, romances, poesia, prosa, literatura infantil e infanto-juvenil e um encantamento único de quem escreveu obras premiadas como “Eu Sei mas não devia”, “Rota de Colisão”, “E por falar em Amor”, “Contos de Amor Rasgados” e “23 Histórias de um viajante”.

20h30 — Tenda literária
Mesa 3: “Jornalismo, Literatura, Memórias”
Ela fez nesta vida o que muita gente precisaria de muitas encarnações para realizar: aos 15 anos já era habitué da casa de Di Cavalcanti e aos 18 foi a primeira modelo brasileira contratada por uma maison francesa. Amiga de Vinicius de Moraes, irmã de Nara Leão, viu a bossa nova nascer em sua sala. Com três filhos pequenos, trocou um casamento sólido com um político famoso, Samuel Weiner, para viver um grande amor com Antônio Maria, um jornalista boêmio e pobre. Foi jurada, promoter, jornalista e lançou obra sobre etiqueta social (Na sala com Danuza) que virou sucesso editorial. Uma das maiores personalidades do mundo jornalístico, artístico e cultural do Brasil, Danuza Leão, que recentemente publicou suas memórias no livro “Quase Tudo” (Companhia das Letras), conversará sobre a intensa e emocionante história de vida, alinhavando-a a importantes personagens e acontecimentos que gravitaram em torno dela; do society à vida política, do mundo artístico ao jornalismo, tendo como mediador o experiente jornalista e cronista potiguar Woden Madruga, colunista do jornal Tribuna do Norte e ex-presidente da Fundação José Augusto.

SEXTA, 25 DE SETEMBRO DE 2009

09h às 10h — Tenda/praça
Pipinha literária: “Entre Artes e Brincadeiras: as artes cênicas”
Atividades desenvolvidas para crianças e adolescentes envolvendo teatro, dança popular e mímica, sob a coordenação da educadora Maria do Carmo Dantas, graduada em Artes Cênicas pela UFRN, atriz e contadora de histórias.

10h às 11h — tenda
Pipinha literária: “Artes visuais”
Pintura, desenho e dobradura serão técnicas artísticas vivenciadas em oficinas com os arte-educadores Luiz Élson Dantas, graduado em Educação Artística pela UFRN com Especialização em Teoria da Arte – UFPE, desenhista e escritor; e Maria Geruza Soares Câmara, formada com Licenciatura Plena em Geografia e Ensino de Arte – UFRN.

10h às 11h — Tenda/praça
Pipinha literária: “Música, brinquedos cantados”
Série de atividades lúdicas com objetivo de levar as crianças a vivenciarem o universo das cantigas e dos brinquedos musicais. Com oficinas de roda, emboladores de coco e Repentistas. Participam Maria Magna Costa Fernandes dos Santos, Silvana Amália Carvalho Araújo, professora de Educação Física com Especialização em Verbo Tonal (D-a) e Deficiência Auditivo-Mental e Arte Educadora; Ricardo França da Silva – Buihú, Tecnólogo em Lazer, brincante, Assessor Técnico da Fundação José Augusto e Antonio Soares, Arte-educador com Especialização em Jovens Portadores de Deficiências

14h às 15h30 — Tenda/praça
Pipinha literária: Música
Oficinas de Brincadeira de rua e brinquedos cantados. Mais oficinas de roda, emboladores de coco e repentistas, sob a coordenação de Maria Magna Costa Fernandes dos Santos, Silvana Amália Carvalho Araújo e Antonio Soares.

16h30 — Sede da ONG Educapipa
Oficina de Criação literária de Raimundo Carrero (2º dia)
Para o escritor pernambucano Raimundo Carrero, a intuição tem grande importância na qualidade de um livro e não há regras para a criação. Mas existem técnicas que ajudam, e muito, na produção literária. São essas técnicas presentes na obra “A Preparação do escritor”, resultado das oficinas literárias concorridíssimas que o escritor vem realizando Brasil a fora. Aqui, a oficina é voltada a estudantes e consiste em exercícios intensivos e leituras.

17h30 — Tenda literária
Mesa 4: Hélio Galvão: A cultura praieira
Poucos intelectuais se credenciaram tanto à gratidão de sua terra e ao mesmo tempo dos estudiosos da História como o pesquisador, escritor e advogado Hélio Mamede de Freitas Galvão. No mundo confuso dos arquivos e cartórios, e no árduo universo da pesquisa histórica, Hélio Galvão percorreu quilômetros; da Fortaleza da Barra do Rio Grande à Tibau do Sul. Ao traçar a radiografia a trajetória humana e toda riqueza cultural produzida por ele, o jornalista contista, cronista, escritor e intelectual potiguar Sanderson Negreiros refaz essa trajetória tendo como debatedora a poeta e professora Diva Cunha, um dos nomes mais embasados da intelectualidade feminina potiguar, autora das obras poéticas ‘Canto de página’, ‘Palavra estampada’, ‘Coração de lata’ e o mais novo ‘Resina’; tendo ainda como mediadora a pesquisadora Gilmara Benevides, biógrafa de Hélio Galvão e autora do livro “Hélio Galvão - O Saber Como Herança” (edição Letras Potiguares/Funcarte).

19h00 — Tenda literária
Mesa 5: Literatura da Periferia
Jovem, bela e de esquerda. Assim ela foi retratada pelo escritor e jornalista Zuenir Ventura no famoso livro “1968 – o ano que não terminou”. Mito e ícone da intelectualidade carioca daquele ano revolucionário, Heloísa Buarque de Hollanda é hoje professora titular de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e conhece como poucos estudiosos os ideais desencadeados em 1968 e herdados pelas novas gerações: a cultura como instrumento de transformação social é um deles. Nesta jornada pela cultura produzida pelas periferias, a autora terá como debatedor o escritor pernambucano Raimundo Carrero, autor de quinze livros de ficção e vários prêmios na estante, e ainda como mediador o jornalista e escritor Carlos de Souza, autor de Crônica da Banalidade”, “Cachorro Magro” e “É tudo fogo de palha”.
20h — Tenda Literária

Exibição do documentário “Um Paraíso Perdido”
O documentário, exibido antes da mesa literária sobre o tema “Euclides da Cunha”, é dirigido pelo escritor e jornalista Daniel Piza com fotografia de Tiago Queiroz. O curta reconstitui a viagem à Amazônia realizada em 1905 pelo escritor Euclides da Cunha. (duração: 24 min)

20h30 — Tenda literária
Mesa 6: “A Amazônia de Euclides”
No ano do centenário de morte de Euclides da Cunha, o escritor e jornalista do jornal O Estado de São Paulo Daniel Piza mergulha neste universo pouco percebido e debatido na obra euclideana — a sua relação com a natureza e a ciência. O autor não só fez uma meticulosa pesquisa sobre caminho percorrido por Euclides da Cunha na Amazônia no começo de século XX, como também refez ele mesmo os passos do autor de Os Sertões, o que resultou no documentário “Um Paraíso Perdido” (24min), curta que será exibido na ocasião. Tendo como mediador o jornalista e crítico literário Tácito Costa, Piza abordará também outros temas da vida e obra de Euclides da Cunha.


SÁBADO, 26 DE SETEMBRO DE 2009

09h às 10h — Tenda
Pipinha Literária: “Entre Coisas e Palavras”
Três experientes educadoras se unem para compartilhar com o público infanto-juvenil a leitura de obras de intelectuais que estudaram a nossa terra e região — Clementino Câmara, Hélio Galvão e Antônio Marinho. O objetivo é proporcionar uma maior apreciação e valorização da arte local, regional e nacional. Participam da oficina Maria Magna Costa Fernandes dos Santos; Silvana Amália Carvalho Araújo; Erileide Maria Oliveira Rocha.

10h às 11h — Tenda
Pipinha Literária: “Teatro de Bonecos”
Herdeiro legítimo do universo mágico do Teatro de Bonecos, o artista e bonequeiro Josivan de Chico Daniel — filho do mais ilustre bonequeiro do RN, mestre Chico Daniel — é o convidado desta oficina que vai mostrar técnica de manipular e dar vida ao “João Redondo”.

14h às 15h30 — Tenda
Pipinha Literária : “Cordel”.
Apreciação e valorização da arte local, regional e nacional através da literatura de cordel, tendo como condutor o historiador e escritor Antonio Francisco Teixeira de Melo, um dos nomes mais importantes da literatura de cordel no Rio Grande do Norte. Além de historiador e poeta, é compositor e xilógrafo — Antônio Francisco é um dos poucos que ainda confecciona placas.

14h às 15h30 — Tenda
Pipinha Literária : “Repente”
Conduzido pelo poeta e educador Gilmar Leite, a oficina vai proporcionar às crianças e adolescentes uma apreciação da musicalidade e beleza poética da arte dos repentistas.

16h00 — Sede da ONG Educapipa
Oficina de Criação literária de Raimundo Carrero (3º dia)
Para o escritor pernambucano Raimundo Carrero, a intuição tem grande importância na qualidade de um livro e não há regras para a criação. Mas existem técnicas que ajudam, e muito, na produção literária. São essas técnicas presentes na obra “A Preparação do escritor”, resultado das oficinas literárias concorridíssimas que o escritor vem realizando Brasil a fora. Aqui, a oficina é voltada a estudantes e consiste em exercícios intensivos e leituras.

16h00 — Tenda literária
Mesa 7: “O romanceiro potiguar: vida e poesia”.
Como proposta de reflexão sobre aspectos relacionados ao romanceiro Potiguar, a professora de Literatura e Doutora em Letras pela UFPB, Lílian Rodrigues, mergulha neste gênero literário para situar as principais referências, estudos realizados, ao mesmo tempo enfatizar que este tipo de produção não está separado da existência social e cotidiana de seus produtores, ou seja, poesia e vida se entrelaçam. Como mediador desta palestra, o antropólogo Luiz Assunção, professor do Departamento de Antropologia da UFRN.

17h30 — Tenda literária
Mesa 8: “Homero Homem de Siqueira – o filho do Rio Catu”
O escritor e poeta potiguar nascido em Canguaretama Homero Homem de Siqueira é considerado o autor ficcional mais lido no RN. Suas obras tiveram várias edições. Só “Menino de Asas” foi editado 22 vezes (Ed Record, ed Ática, entre outras) , além de ser o único autor com obra traduzida em outra língua — o clássico “Cabra das Rocas” (“Gente delle Rocas” – tradução italiana de 1977). Sua poesia também é de grande relevância entre as correntes poéticas. Homero Homem pode ser definido como neo-romântico, pós-Geração 45. Para falar sobre sua obra, nada melhor do que outro grande romancista, o escritor Nei Leandro de Castro, autor de obras importantes como ‘O Dia das Moscas’, ‘As Dunas Vermelhas’ e ‘As Pelejas de Ojuara’, esta premiada pela União Brasileira dos Escritores e que virou filme. Para debater o tema estará o artista plástico, professor, ensaísta e poeta Dorian Gray, tendo ainda como mediadora a poetisa e jornalista Marize Castro, nome consagrado da poesia potiguar, reconhecida pela refinada obra que publicou — ‘Marrons crepons marfins’, ‘Rito’, e ‘Poço. Festim. Mosaico’.

19h — Tenda literária
Mesa 9: “Lobão tem razão?”
“…Mais vale um Lobão/Do que um leão/Meto um sincerão/E nada se dá/O rock acertou/Quando você tocou/Com sua banda/E tamborim/Na escola de samba/E falou mal/Do seu amor….” A polêmica canção de Caetano Veloso “Lobão tem razão” mostra a necessidade de se rebelar, de fazer renascer o seu “sentimento de ser de esquerda”, como ele mesmo escreveu no blog recentemente; ou ainda como declarou há alguns anos: “Toda vez que Lobão falou mal de mim, eu gostei”. Agora, será o próprio Lobão — João Luíz Woerdenbag Filho – em carne, osso, idéias e polêmicas, a conversar sobre este e outros temas tendo como debatedor o escritor, poeta e publicitário Patrício Júnior, do coletivo Jovens Escribas, com sete livros publicados entre eles “Lítio; e mediação do jornalista, cantor e músico Isaac Ribeiro.

20h30 — Tenda literária
Mesa 10: “Galiléia e o exílio do sertão”
A partir de uma reportagem lida em um jornal emprestado da esposa, há oito anos, o romancista cearense radicado em Recife Ronaldo Correia de Brito pariu um dos mais importantes romances da atualidade. Em Galiléia, Prêmio São Paulo de Literatura como o romance do ano, ele faz um mergulho entre dois mundos distintos: o arcaico do sertão e o globalizado, através da história de uma família cujo patriarca, Raimundo Caetano, já moribundo, vai morrer e reúne os membros de seu clã sertanejo — os filhos e netos que migraram e os que ficaram na fazenda Galiléia, interior do Ceará. Cada membro da família construiu, ao longo do tempo, seu repertório de aflições e a visita à fazenda provoca o cruzamento terrível de todas essas angústias. Galiléia é portanto, o fio que conduz esta conversa tendo como debatedor o jornalista potiguar Osair Vasconcelos, e como mediador o poeta, professor e crítico literário Moacir Cirne.

PROGRAMAÇÃO STAND SEBO VERMELHO - I FLIPA: FESTIVAL LITERÁRIO DA PIPA. 24 A 26 / SET

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

SEBO VERMELHO CONFIRMA A PRESENÇA DO PROF. FRANCISCO IVAN RECEBENDO AMIGOS PARA O LANÇAMENTO DE SEU NOVO LIVRO NO STAND DO SEBO NA I FLIPA



Sobre o autor: nasceu em Currais Novos, Rio G. do Norte, em 27 de junho de 1946; fez o curso secundário, antigo Curso Ginasial, interno, no Seminário Diocesano de Caicó; e, o Curso Clássico, no Seminário São Pedro, Arquidiocese de Natal. Licenciado em Letras pela Faculdade de Educação da UFRN, no ano de 1972; atualmente é professor de Literatura Brasileira no Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade de São Paulo, onde foi professor de Teoria Literária; ensaísta, e autor dos seguintes livros: Persona: Uma Face Perversa, 1980; Epifanias, 1982; Invés; Ensaio Poético, 1997; A Chave Azul, 2002; Variações, 2004; Currais Novos/Imagem/Tempo/Espaço, 2005; Azul Grego, 2007; Thálassa 2008; Colóquio Barroco, Org. 2008.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

UMA EDIÇÃO ESPECIAL DO SEBO VERMELHO, MAIS UM PRESENTE DO PROF. FRANCISCO IVAN PARA A COLEÇÃO JOÃO NICODEMOS DE LIMA




AUGUSTO DOS ANJOS DOS DEUSES E DOS DIABOS
PROF. FRANCISCO IVAN DA SILVA
LANÇMENTO EM SETEMBRO DE 2010

domingo, 30 de agosto de 2009

SEBO VERMELHO NA I FLIPA




A praia de Pipa, a 70 km da de Natal, realiza entre os dias 24 e 26 setembro a 1ª Flipa - Festa literária da Praia de Pipa.

Na programação, já está confirmada a presença do escritor Ronaldo Correia de Brito, atual vencedor com o romance "Galiléia" de um dos prêmios de literatura mais importantes do Brasil, o Prêmio São Paulo de Literatura.

Além de Ronaldo estão confirmados ainda a presença da escritora Marina Colasanti e de Danuza Leão. A organização espera articular ainda a vinda dos escritores Davi Arrigucci Jr., João Gilberto Noll, Murilo Mello Filho e Daniel Pizza.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

UMA PEQUENA GRANDE OBRA SOBRE O VELHO SÍTIO INGÁ NO SERIDÓ




Sigo as linhas traçadas por meu bisavô Silvino Bezerra e logo me transporto para a fazenda que nós dois, em tempos distintos aprendemos a amar. Suas recordações pairam sobre mim, trazendo o sabor da infância, resgatando emoções que só a terra em que passamos os nossos primeiros anos de vida é capaz de revelar.

A dedicatória do livro à gente leal e trabalhadora, razão da existência de uma civilização chamada Seridó, retrata o seu lado humano.

A preocupação em levantar os nomes de todos os proprietários da fazenda demonstra uma situação pouco comum na História da região, quase sempre centrada no estudo da genealogia, mas que reflete a importância da terra para o seridoense.

Não poderia deixar de dar uma contribuição à pesquisa, informando que a Fazenda Ingá continua nas mãos dos seus descendentes, pertencente a minha avó materna, Maria Aliete Galvão Meira e Sá, e ao meu tio, Maurício Galvão Meira e Sá, esposa e filho de Francisco de Sales Meira e Sá Neto, filho do autor.

Os descendentes daquela gente trabalhadora também lá permanecem, ouvindo o piar das andorinhas que, anualmente, abrigam-se no Bico da Arara, deixando um adubo fértil para o cultivo da terra.



Natal, 28 de maio de 2009
Maria Elza Bezerra Cirne

JORGE DAVIN LANÇA ESCUTEI NA FEIRA, PELA COLEÇÃO JOÃO NICODEMOS DE LIMA, DIÓGENES DA CUNHA LIMA COMENTA.



Diógenes da Cunha Lima

O professor Jorge Davim, especialista em engenharia de produção, é, também, um excelente ficcionista. Presenteia a todos nós com um belo romance.
Desde a Idade Média, a feira é lugar de encontro, compra e venda, permuta de mercadorias, mas é também acontecimento de efervescência cultural, troca de conhecimentos, representação mais legítima da vida comunitária.
É na feira que o autor vai descobrir personagens e fatos do dia-a-dia, a história principal com várias tramas. A sua narrativa regional tem valores de estudos etnográficos.
A narrativa regional estabelece costumes, tradições, amarras supersticiosas, em ambiente típico de pequena cidade nordestina.
O contexto espaço-temporal possui todas as contingências humanas, o modus vivendi com descrição minuciosa, o bem e o mal, experiências e conflitos.
Dir-se-ia que o trabalho é muitas vezes ingênuo. Ingênua, de fato, é a nossa gente, as figuras rústicas que falam o que vem do coração, muito mais que do raciocínio.
O leitor encontrará pequenas tragédias e comédias diárias, seduções, marcas de um viver que se vai perdendo em tempo de uma vulgar globalização.
O livro preserva muito do que é caro à nossa cultura. Vale.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CABEÇA PENSANTE




A combativa teórica do pós-feminismo


Reconhecida intelectual norte-americana, Camille Paglia fala à CULT sobre feminismo, homossexualidade, política e cultura pop

14/08/2009

Gunter Axt


Camille Paglia, intelectual erudita e das massas
De seu grande livro de estreia, Personas Sexuais, publicado no Brasil em 1990, ao recente Break, Blow, Burn, antologia comentada de 43 poemas, ainda inédito no Brasil, a historiadora da arte Camille Paglia tornou-se conhecida pela importância de sua obra e pela sua combatividade em muitas controvérsias nas quais se envolveu. Formada pela Yale University e professora no Philadelphia College of the Performing Arts, na Pennsylvania, a nova-iorquina de ascendência italiana é considerada uma das principais teóricas do assim chamado pós-feminismo, sendo reconhecida no ranking da revista Foreign Policy como uma das intelectuais mais influentes do planeta.

Seu método acadêmico é erudito, comparativo e descritivo. É, portanto, a partir de sólida base - a reflexão sobre a religião comparada, sobre a apropriação simbólica das artes ou sobre a maneira pela qual uma obra artística foi produzida - que Camille produz ensaios de grande repercussão midiática. Apesar da elaborada formação clássica, Camille interessou-se pela cultura popular, valorizando o tema da cultura de massas no ambiente acadêmico.

Camille visitou quatro vezes o Brasil. Em 1996, promovendo o lançamento de seu Vamps & Tramps (Vampes e Vadias), foi ao Rio de Janeiro e a São Paulo, em companhia de sua então companheira Alison Maddex. Em 2007, conferenciou em Porto Alegre, e, em 2008, em Salvador. Retornou a Salvador em fevereiro de 2009 para curtir o carnaval baiano. Declara-se apaixonada pelo Brasil.
Na entrevista a seguir, Camille fala de Madonna, de Michael Jackson e de Daniela Mercury. Discute a política norte-americana e comenta seu mais recente trabalho publicado nos Estados Unidos. Fala ainda de casamento gay, da adoção de crianças por casais gays e de religião.


CULT - Seu último livro, Break, Blow, Burn, é um comentário de 43 poemas. Como foi que você selecionou esses poemas e que método usou para analisá-los?

Camille Paglia - O livro é uma mistura de poemas ingleses famosos e obscuros. Ele vai de Shakespeare a Joni Mitchell, cuja canção "Woodstock" abordo como uma ode à natureza durante os revolucionários anos 1960. Eu queria alcançar as massas que já não lêem poesia, e que agora são absorvidas pela TV, pelos videogames e pela Internet. O livro tornou-se, surpreendentemente, um bestseller nos EUA - o que demonstra que de fato há um anseio por beleza e por sentido que não tem sido satisfeito pela nova tecnologia.
Break, Blow, Burn foi o resultado das três décadas que passei na sala-de-aula ensinando alunos de procedências muito diversas, mais e menos privilegiadas economicamente. Um poema lírico curto oferece uma oportunidade magnífica para se estudar as operações da arte com atenção microscópica. Meu método crítico é bastante tradicional: uma leitura atenta, "close reading", ou "explication du texte", que trata o poema como uma unidade autônoma e fechada em si mesma e que examina cada palavra como se fosse uma jóia. Ele descende do "higher criticism" do século 19, que analisou sistematicamente a Bíblia.
Eu também ministro um curso chamado "A arte das letras de canções". A qualidade das letras de canções nos EUA decaiu muito nos últimos 30 anos. O antigo ofício da composição americana de canções descendeu de baladas escocesas e irlandesas, do blues afro-americano, do vaudeville e da Broadway. O hip-hop é um estilo fértil, mas o seu tom agressivo dificulta efeitos delicados. O que me encanta na música popular brasileira é a alta qualidade das letras das canções - as quais apresentam com frequência uma obliquidade poética, uma insinuação atmosférica e uma ressonância emocional que a música americana perdeu quase completamente.


CULT - Como você analisa os primeiros meses do presidente Barack Obama?

Camille - Eu apoiei Obama nas eleições primárias do Partido Democrata e doei dinheiro para a sua campanha. Acho que ele está ocupando seu cargo com autoridade e dignidade e que sua esposa Michelle se tornou uma vigorosa e elegante primeira dama. Infelizmente, a crise econômica mundial que o presidente herdou tornou seus primeiros meses muito turbulentos. Eu não acho que suas nomeações, em especial na área da economia, tenham sido tão boas quanto deveriam. Sua escolha de um companheiro de Chicago, o conspiratório e durão Rahm Emanuel, para chefe de gabinete foi particularmente infeliz.

O resultado foi uma primeira semana desastrosa em que Obama permitiu passivamente que o congresso aprovasse um pacote de incentivo econômico tão grotesco e extravagante que fez com que o desmoralizado Partido Republicano ressuscitasse. Num piscar de olhos, Obama perdeu toda a esperança de governar de maneira unificadora na estrutura bipartidária. Aquela atrapalhada primeira semana pode ter sido sua Waterloo.

Fiquei satisfeita com seu discurso no Cairo, que tratou de curar as divisões entre o Ocidente e o mundo muçulmano, mesmo que alguns detalhes tenham me parecido ingenuamente otimistas ou historicamente imprecisos. A atmosfera política nos EUA voltou ao partidarismo amargo e feroz. O país está divido entre os que amam Obama e os que o detestam. Mas sua raça não tem nada a ver com isso. Os inimigos de Obama o acusam de ser secretamente um marxista radical que odeia os EUA.


CULT - E quanto a Hillary Clinton, cuja campanha presidencial você criticou?

Camille - Eu era uma fã de Hillary quando ela apareceu na cena nacional durante a primeira campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992. Achei que ela era uma mulher forte e franca. Mas depois me decepcionei com sua megalomania à Evita, com seus sigilos paranoicos e seu gerenciamento amador da reforma da saúde em 1993. As duas administrações de Clinton foram uma cadeia de escândalos auto-induzidos. Quais eras as qualificações de Hillary para a presidência - além de ter sido casada com Bill? As feministas a adoravam, mas ela nunca conseguiu nada por si própria.

Durante as eleições primárias do ano passado, Hillary se comportou com arrogante condescendência em relação a seus rivais do sexo masculino. Ela agiu como uma imperadora, esperando que a nomeação lhe fosse entregue. Os Clintons nunca anteciparam a ascensão meteórica de Obama, que os atordoou. Quando Obama foi nomeado, as feministas se comportaram como bebês chorões, acusando os eleitores e a mídia de sexismo - uma alegação ridícula.

A equipe de Obama realizou uma das manobras mais espertas que já vi na política americana. Eles ofereceram a Hillary o cargo de Secretária de Estado como se fosse uma enorme honra. Os Clintons aceitaram tolamente - pensando que agora Hillary era importante demais para o Senado. Então Obama concluiu o bote: apontou inesperados emissários especiais para cada uma das regiões problemáticas do mundo, minando o poder de Hillary e tornando-a uma espécie de fantoche sem autoridade real. Ela obviamente odeia esse papel.

A caminho de uma recente reunião com Obama sobre o Irã, ela tropeçou no estacionamento do Departamento de Estado e quebrou o cotovelo - o que causou o cancelamento de várias viagens intercontinentais. Os antigos romanos, que eram muito supersticiosos com estreias, teriam interpretado esse acontecimento como um mau presságio! E Freud teria concordado; para ele, tal incidente sinaliza conflitos profundos e raiva reprimida.


CULT - Como você avalia, numa perspectiva cultural, o fenômeno atual de ferramentas da Internet como o Twitter e o Facebook?

Camille - Sou uma defensora fervorosa da Internet, que sempre enalteci como uma nova fronteira nas comunicações humanas. Tenho escrito para o Salon.com desde sua primeira edição em 1995 - quando a Web ainda era vista como uma simples novidade passageira. Um importante repórter do Boston Globe chegou a me criticar por "desperdiçar" minha energia na Web, que ele disse que nenhum jornalista levava a sério. Eu certamente fui a primeira intelectual estabelecida a escrever na Web. Contudo, hoje estou um pouco decepcionada com o baixo número de revistas virtuais que obtiveram sucesso.

Existem milhares de sites e milhões de blogs, mas me entedio com frequência com as coisas que aí encontro. Eu me preocupo com a fragmentação da Internet desencadeada pelos blogs - que picotam o discurso em pequenas notações e separam as pessoas em seus feudos privados. O Twitter e o Facebook aceleraram essa tendência. Quero que a Internet seja um grande fórum público com um amplo escopo. O Twitter e o Facebook são como clubes privados, cheios de bate-papo aleatório e fugaz. São veículos importantes de intercomunicação social, em especial para os jovens, mas não estão promovendo uma troca séria de idéias.

Eu tentei combater essa tendência escrevendo colunas bem longas para o Salon.com - para mostrar que as pessoas têm, sim, paciência para ler documentos longos na Internet, se esses forem escritos num etilo dinâmico. Estou muito preocupada com o curto período de atenção de que se mostram capazes os jovens, que estão sendo treinados, por meio de torpedos e do Twitter, a usar a linguagem em arroubos curtos e desconexos. Como poderão ser capazes de ler Guerra e paz do Tolstói?


CULT - Recentemente você deu uma palestra no Museu Real de Ontário, em Toronto, logo após uma palestra de Christopher Hitchens- algo que também aconteceu em Porto Alegre, em 2007. Qual é sua posição acerca da visão extremamente negativa que Hitchens tem da religião?

Camille - Eu respeito Christopher Hitchens como um pensador independente e como um engenhoso orador. No entanto, ele sabe muito pouco sobre história da religião e muitas das suas conclusões não passam de cínica retórica. Sou uma atéia que tem profundo respeito por todas as religiões. Eu venho propondo há 20 anos que um estudo comparativo das religiões deveria estar no núcleo dos currículos educacionais de todo o mundo. Todos deveriam conhecer as escrituras, a arte, e os locais sagrados de todas as grandes religiões - Hinduísmo, Budismo, Judaico-Cristianismo e Islã.

A ciência é muito importante, mas sempre incompleta, porque ela jamais pode dar conta dos grandiosos mistérios do universo. Hitchens está simplesmente errado ao dizer que a religião é sempre uma fonte do mal. Seus códigos morais foram de grande serventia para a humanidade - ainda que eu mesma tenha me rebelado contra o puritanismo e o autoritarismo da igreja na minha juventude. Quando me perguntaram sobre o livro de Hitchens God is Not Great, na parte de discussão da minha palestra em Toronto, respondi: "que Hitchens seja lembrado por esse título. E que toda a minha carreira seja julgada pela frase mais importante que já escrevi: 'Deus é a mais grandiosa ideia do homem".


CULT - Você também se dedicou ao estudo de carreiras de superstars. Você foi a primeira intelectual a tratar do fenômeno Madonna em universidades. O que você acha que mudou da Madonna que você celebrava nos anos 1980 para a superstar de hoje?

Camille - Algumas feministas acadêmicas escreviam sobre a Madonna - mas de um ponto de vista pós-estruturalista, tratando-a como uma pós-modernista, o que eu achava absurdo. Elas não sabiam nada sobre a poderosa tradição comercial da música pop americana que Madonna absorveu em sua adolescência em Detroit. Eu a vi como uma diva de Hollywood e uma femme fatale na linha da Marlene Dietrich e da bad girl Elizabeth Taylor.

E eu adorava a maneira com a qual a Madonna legitimava o gênero da disco music, que nasceu em bares de negros e de gays e que era deplorado pelos críticos musicais da época. Uma das frases mais proféticas que já escrevi foi a que concluiu meu artigo de 1990 para o New York Tines: "A Madonna é o futuro do feminismo". Algumas pessoas se chocaram, outras desprezaram o vaticínio. Mas foi exatamente o que aconteceu: a ideologia pró-sexo, pró-beleza, pró-moda da Madonna transformou radicalmente o feminismo e desbancou as puritanas stalinistas que eu vinha combatendo.

Mas a trajetória criativa da Madonna colapsou tragicamente nos últimos 15 anos. Ela colaborou com jovens produtores eletrônicos, mas, apesar disso, ela se estagnou e não foi adiante artisticamente. A minha explicação é a de que sua inspiração primária foi sua rebelião contra o totalitarismo de sua família e igreja. Quando ela passou do catolicismo italiano para a cabala, ela perdeu tudo enquanto artista. E a despeito de suas alegações de espiritualidade cabalística, ela se tornou demasiado materialista e avarenta para o estilo de vida de uma celebridade. Cercada de guarda-costas e viajando com luxo, ela circula numa bolha, separada de seus fãs, com quem ela tem muito pouco contato, mesmo no palco. Sua mania de exercício e dieta a faz parecer anoréxica. Não sobrou nada genuinamente erótico na Madonna. Ela é toda força de vontade sem um corpo carnal - como um robô desajeitado.



CULT - O que você acha que Michael Jackson representa para a cultura pop?

Camille - Como a Madonna, Michael Jackson decaiu lentamente do ofuscante cume de seu brilho artístico. Historiadores da música estudarão quanto os álbuns mais importantes de Michael deveram à sua colaboração com o produtor virtuoso Quincy Jones. Michael fez muito pouco de grande música depois que a parceria com Jones acabou. Michael é uma de muitas estrelas infantis admiráveis, como Judy Garland, que tiveram problemas na transição para a vida adulta e que acabaram se tornando viciados em drogas. É triste que Michael nunca tenha feito a retomada que Judy conseguiu em sua apresentação de grande fôlego em 1961 no Carnegie Hall em Nova York - cuja gravação representa um dos pontos altos da música moderna.

Michael era muito talentoso, e apesar disso se deleitava com produções exageradas em que se apresentava arrogante como um mártir semelhante a Cristo, um gangster pomposo, ou um líder de esquadrão fascista. Ele era um dançarino maravilhoso, mas nunca evoluiu para além de um conjunto nuclear de passos de marionete e aquele ilusório "moon walk". Seu repertório vocal também cessou de se desenvolver - a emoção sincera era truncada por grunhidos e soluços sufocados.

Todos nós intuíamos as agonias acerca de sua raça e de seu gênero sinalizadas pelas cirurgias plásticas que ele fazia compulsivamente. Menos perdoável era a maneira com a qual ele tratava seus filhos, mentindo sobre sua paternidade e forçando-os a usar máscaras em público. A ironia é que agora que Michael morreu, nós podemos rever todo o corpus de sua obra e aproveitar e celebrar o que nele há de soberbo e de melhor. Não há dúvida de que a vida mais autêntica de Michael se deu no palco. Todo o resto foi um caos.


CULT - Você já criticou o casamento gay. Por quê?

Camille - Por vinte anos, eu tenho clamado pela substituição de todo casamento, homossexual ou heterossexual, pela união civil. O Estado, que governa os direitos de propriedade, deve ser estritamente separado da religião e não deve jamais sancionar sacramentos religiosos. Pessoas que querem a benção de uma igreja devem se sentir livres para ter uma segunda cerimônia na igreja que escolherem.

Eu acredito que os ativistas gays dos Estados Unidos cometeram um sério erro estratégico ao reivindicar o casamento, porque a palavra "casamento" é muito associada à tradição religiosa e gera uma revolta entre os conservadores. Ao contrário, os ativistas deveriam se concentrar nos benefícios específicos injustamente negados às uniões gays. Por exemplo, nos EUA, se um gay morre, seu parceiro não recebe os benefícios do Seguro Social, que no caso das uniões heterossexuais vai automaticamente para o parceiro. Isso é uma afronta! Mas este ponto tem sido deixado de lado pelos ativistas gays por conta do seu entusiasmo pela quimera reacionária do "casamento". Uma visão de esquerda autêntica (como nos anos 1960) iria desafiar todo o conceito do casamento.


CULT - Você terminou recentemente um relacionamento de 15 anos com sua parceira Alison Maddex. Vocês foram casadas formalmente?

Camille - Na realidade, nós terminamos há um ano e meio, mas a notícia surgiu na mídia somente agora. Não, nós não fomos casadas. Um dos pontos altos do nosso relacionamento foi a repercussão na mídia de nossa visita ao Brasil em 1996! Nós amamos os brasileiros. Na verdade, o mais importante relacionamento da Alison, antes do nosso, foi com uma brasileira.


CULT - Como você avalia a possibilidade de um relacionamento amoroso de longa duração entre duas mulheres?

Camille - Para ser franca, sou pessimista quanto a eles do ponto de vista erótico. As lésbicas formam laços de lealdade muito profundos - compromissos vitalícios que têm sido observados desde o famoso caso das "senhoritas de Llangollen", que aconteceu há dois séculos no País de Gales. Mas sou cética sobre quanto "fervor" sexual ainda pode existir entre duas mulheres depois de 10 ou 20 anos.

Existem, entre escritores gays, casos muito famosos de casais de homens que ficaram juntos por toda a vida - W.H. Auden, Allen Ginsberg, Gore Vidal. Mas eles jamais exigiram de seus parceiros a exclusividade sexual. Ambos os amantes tinham divertidas aventuras alhures com jovens atraentes. Isso não parece possível com as lésbicas. A aventura externa acaba representando uma traição do laço emocional. Eu mesma fui, de modo entediante, monogâmica em minha conduta. Olhando em retrospecto (dado o número de assédios que recebi tanto de homens quanto de mulheres nos últimos 20 anos), acho que foi um erro!


CULT - Vocês duas têm um filho. Qual é a sua opinião sobre a adoção e a criação de crianças por casais gays?

Camille - Meu filho, que adotei legalmente depois que nasceu, sete anos atrás, é o filho biológico de Alison e está sendo criado por nós duas de modo amigável. Usamos uma clínica de fertilidade da Filadélfia e um banco de esperma da Califórnia para escolher um doador anônimo. Tivemos a sorte de a adoção gay ser permitida no estado da Pensilvânia - o que não ocorre em algumas partes dos EUA. Não gosto da ideia de "duas mamães" ou de "dois papais" para os filhos de casais gays. Acho que isso pesa muito sobre a criança na forma de aborrecimentos desnecessários durante a adolescência.

Meu filho tem apenas uma mãe - Alison - e é por isso que ele tem o sobrenome dela. Não gosto dos nomes longos nem das combinações hifenizadas construídas por muitos pais gays. Essas são estratégias desenvolvidas para proteger o amor-próprio de adultos e não para o bem da criança. De forma geral, a criação de uma criança por um casal gay é um enorme experimento social tornado possível por um clima liberal na cultura ocidental. Tenho muita esperança de que os resultados gerais serão positivos - mas a essa altura ninguém pode ter certeza.


CULT - Em recente entrevista a uma emissora de televisão de Toronto, você declarou que estava "loucamente apaixonada" por Daniela Mercury, que você conheceu no último carnaval de Salvador. Alguns sites brasileiros especularam que vocês estavam tendo um caso amoroso. Como é a sua relação com ela?

Camille - Tendo Vênus por minha testemunha, afirmo ser uma simples devota no culto a Daniela, que tem inúmeros seguidores ao redor do mundo. Tudo começou a um ano, muito antes de conhecê-la pessoalmente, quando fui presenteada com um pacote com seus DVD's depois de uma palestra que proferi em Salvador. Eu estava absolutamente eletrizada pelo brilho artístico de Daniela e me tornei uma estudiosa de seu trabalho, sobre o qual escrevi no site Salon.com.

Depois de anos de desilusão com o declínio da qualidade dos filmes de Hollywood e da música popular nos Estados Unidos, fiquei estonteada com o samba-reggae da Bahia, que Daniela reinterpretou de forma explosiva. Além disso, Daniela era a encarnação viva de muitas de minhas ideias - como as desenvolvidas em "Personas Sexuais", que ela representa em seus maravilhosos figurinos teatrais e coreografias.

Quando conheci Daniela no carnaval, fiquei encantada pelo seu calor despretensioso e humano. Mas esse também foi um momento de grande revelação, porque nunca na minha vida eu tinha conhecido alguém, homem ou mulher, em quem eu tenha reconhecido uma corajosa imaginação sincrética como a minha. Talvez seja por nossa ascendência italiana! O barroco Bernini floresce em Daniela. Nas artes, nós somos almas gêmeas. Do ponto de vista pessoal, sim, eu estava completamente encantada - quem não estaria? Esta é uma estrela brasileira de incandescência solar! Mas eu penso em mim como uma figura da tradição do amor cortês de Petrarca - um cavaleiro das cruzadas que jurou serviço à sua gloriosa, distante rainha.

À parte disso, Daniela casou-se com um homem que eu adoro. Desde o momento em que conheci Marco Scabia na casa de Daniela, eu fiquei profundamente impressionada com ele, como pessoa e como pensador. Ele é tão bonito espiritualmente quanto fisicamente. Toda foto tirada de Daniela e Marco juntos resplandece com a luz da química mútua que eles têm. Eles merecem toda felicidade na vida!


CULT - "Vamps & Tramps" (Vampes e vadias) finalmente está sendo publicado na França. É seu primeiro livro publicado naquele país. Você acha que a sua crítica ao pós-estruturalismo francês pode ter contribuído para eventual desafeto encontrado por sua obra ali? O que mudou?

Camille - Duvido que tenha sido minha campanha militante contra Jacques Derrida, Jacques Lacan e Michel Foucault o que causou esse atraso, por que esses autores já estavam obsoletos na França na época em que os professores norte-americanos os promoviam servilmente. Não foi pelo fato de eu ter absorvido tanto as ideias francesas desde a minha infância (meu pai ensinava francês) que os franceses não precisavam de mim.

Fiquei famosa por atacar o puritanismo anglo-americano no feminismo e na academia. Eu estava simplesmente pondo em prática as lições que aprendi de Sade, Gautier e Balzac, assim como de Jeanne Moreau e de Catherine Deneuve! As feministas francesas eram muito chiques e nunca atacaram a arte ou a indústria da moda, como fizeram as feministas anglo-americanas. Mas algo estranho pode estar acontecendo na França; por exemplo, um documentário francês sobre pornografia para o qual fui entrevistada há vários anos teve seu lançamento proibido em um julgamento. Assim, o meu trabalho, com sua defesa da liberdade de expressão e da fantasia sexual, pode parecer especialmente relevante nesse momento.


CULT - Você está trabalhando em algum novo projeto nesse momento?

Camille - Estou escrevendo um novo livro na linha de Break, Blow, Burn. É sobre a história das artes visuais e também visa o grande público.

FONTE - REVISTA CULT

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

UMA EXPOSIÇÃO IMPERDÍVEL...



foto: Alexandre Oliveira


ESTE TEXTO DE JORGE COLI - COLUNISTA DA FOLHA RETRATA PERFEITAMENTE A EMOÇÃO QUE TIVE AO VISITAR A VIRADA RUSSA NO CCBB - RIO DE JANEIRO.
ALEXANDRE OLIVEIRA - CAPISTA DO SEBO VERMELHO VISITOU A EXPO - VIRADA RUSSA NOS DIAS 8,9,10 DE AGOSTO DE 2009

MISTERIOSOS ÍMPETOS

A mostra "Virada Russa" é o que deveria ser toda exposição de arte: um conjunto estimulante e conexo, baseado na compreensão das obras, sem bizarrices de curadores

JORGE COLI
COLUNISTA DA FOLHA

Tanta gente é capaz de desatinos por causa de um quadro. Há roubos espetaculares e colecionadores compulsivos, há maníacos querendo a obra-prima para si, só para si, para mais ninguém: um deles determinou em testamento que um Van Gogh de sua propriedade fosse enterrado com ele. Ao que parece, os herdeiros, sábios, deram um jeito de desobedecer à cláusula: tanto melhor.
Quem não se interessa por obras de arte não entende bem esses comportamentos estranhos. É que delas, das obras, emanam forças prodigiosas. Não é possível quantificar essas energias, mas basta nos expormos a elas, sem reticências, para que comecem a agir. Isso pode parecer conversa fiada, mas é o que comprova a extraordinária mostra "Virada Russa", que esteve em Brasília, deve vir a São Paulo [em setembro] e está agora no CCBB do Rio de Janeiro.
As obras vieram do Museu Estatal Russo de São Petersburgo, 123 ao todo, e foram escolhidas a dedo. Grandes nomes, como Kandinsky ou Chagall, estão representados de modo soberbo. O conjunto fascina: nada de uma pletora descontrolada, mas o encadeamento num fluxo coerente e expressivo.
É o que deveria ser toda exposição de arte: um conjunto estimulante e conexo, baseado na compreensão inteligente das obras, sem bizarrices de curadores. A montagem e a iluminação evidenciam cada obra, pondo-as em contato umas com as outras.
É impossível ficar indiferente diante de tão formidável ebulição criadora. Ali se compreende bem porque a arte é capaz de desencadear paixões alucinadas.

Fôlego
O século 19 na cultura russa foi surpreendente pelas cruciais obras literárias e musicais que produziu. As artes plásticas, porém, permaneceram modestas.
A intensa renovação que ocorre desde o início do século passado nasce da crença na modernidade, artística e social, nas suas capacidades transformadoras. Além de alguma coisa que não se explica: um sopro coletivo de gênio.

Foco
Os estudos sobre o período recoberto pela mostra do CCBB costumam recortar fases, movimentos, grupos. Separam suprematismo e construtivismo, analisam vínculos com futurismo, "fauves", simbolismo, expressionismo, primitivismo.
No entanto, por mais diferentes que sejam as obras, elas parecem brotar de um mesmo solo fecundo. São, todas, habitadas por ímpetos enérgicos. Mesmo as do final, sob o stalinismo, nos anos de 1930, vibram, intensas.
Um pintor como Samokhválov, em telas cujos títulos, por si só, são arrepiantes -"O Komsomol Militarizado" (1932/33) e "Operária de Metrô com Furadeira"-, é capaz, graças à enérgica concentração cromática e à abreviação das formas, de expressar um vigor em nada artificial.

Viço
Os quadros suprematistas de Malevitch, presentes na exposição "Virada Russa", agregam formas ortogonais de cores fortes, regidas por geometria estrita. Mondrian as empregava também.
Basta, no entanto, comparar um e outro para sentir a diferença entre o caráter contemplativo, imóvel, parmenídico, de Mondrian, e a pulsação veemente de Malevitch.
Uma sala admirável reúne o célebre tríptico "Quadrado Negro, Círculo Negro e Cruz Negra", que Malevitch pintou em 1923. Ali também não é uma geometria que, tirânica, leva as formas para as abstrações inefáveis, mas que se concretiza, poderosa, graças à intensidade das proporções e à vitalidade da matéria na qual é vazada. O grande círculo negro, que se desloca para o canto superior direito da tela, arrebata o olhar e destrói qualquer estatismo transcendente.

domingo, 2 de agosto de 2009

CHICO BUARQUE LÊ JORGE AMADO

Chico Buarque lê o Dona Flor e seus dois maridos video

ABERTURA DA FLIP - ADRIANA CALCANHOTO CANTA E ENCANTA A PLATEIA

A Poética do Eremita..Emoção a Flôr da Pele..
Vale a pena conferir. video

quinta-feira, 30 de julho de 2009

WOODSTOCK 40 ANOS. ..TRÊS DIAS...UM FESTIVAL...UMA LENDA





TODOS OS CAMINHOS LEVAM À SANT´ANA




Ó mana deixe eu ir , oh mana eu vou só, oh mana deixa eu ir
pro sertão de caicó.

POLÍTICOS, PILANTRAS, HONESTOS, DELINQUENTES, INTELECTUAIS,
SEBISTAS, BÊBADOS, PARASITAS, PUTAS E DESVALIDOS...CAICÓ E SANT´ANA ACOLHE TODOS, COM SEU AMOR INFINITO.
VIVA A PADROEIRA...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O SEBO VERMELHO LANÇA "OS CÍRCULOS DO INVERNO" E MOSTRA A NOVA CARA DA POESIA POTIGUAR FEMININA - APRESENTAÇÃO DE NEI LEANDRO DE CASTRO



Poesia não tem sexo, mas as mulheres potiguares estão dando um banho nos homens, quando a prosa é a arte poética.
Há mais de vinte anos que as mulheres do Rio Grande do Norte estão dando régua e compasso na nossa poesia, ganhando quase todos os concursos literários e publicando excelentes livros.
Nos anos oitenta tivemos Nivaldete Ferreira, Marize Castro e Diva Cunha. Depois foi a vez de Iracema Macedo, Carmem Vasconcelos, Lisbeth Lima de Oliveira, Anchella Monte, Iara Maria Carvalho dos Santos, e agora chega Tatiana Morais com os Círculos do Inverno.
Conheci Tatiana através do amigo e professor Homero de Oliveira Costa, que falava de uma ex-aluna que escrevia poesia e trocou o curso de direito por artes cênicas.
Tatiana vem do Assu, a terra dos carnaubais, para ser a novidade poética e marcar presença no panorama da poesia norte-rio-grandense.


Abimael Silva
Sebista e editor

SERVIÇO
Lançamento dia 31 de julho
na Potylivros do Praia Shopping em Ponta Negra
a partir das 19h

domingo, 19 de julho de 2009

PARA LEMBRAR BERILO


“Lá se foi Berilo. Inacreditável a notícia de sua morte que nos chega como uma paulada ou um choque nos deixa entre incrédulo e brutalizado. Luís Carlos Guimarães, vizinho de frente, me tira da cama com o primeiro choque: Berilo teve um enfarte violento. Cinco minutos depois volta chorando: o poeta morreu!

Eram sete horas. Meia hora depois, ele deveria, como fazia todas as manhãs, chegar à redação com sua coluna diária. Morrera às cinco, quando mais ou menos acordava, madrugador habitual, para escrever a sua “Revista da Cidade”. Foi com este título que há 23 anos começou a fazer jornal aqui mesmo na Tribuna do Norte.

Berilo andava pela redação dando os primeiros passos na reportagem. A “Revista da Cidade” era uma coluna que eu assinava todos os dias já há algum tempo. Fui passar uns meses em Maceió e ele ficou de interino. Quando retornei, o poeta havia conquistado o espaço. A crônica leve, descontraída, o estilo simples, enxuto, a ironia fina, a farpa bem colocada, estava no gosto do leitor. Mexia com os assuntos do cotidiano, descobrindo tipos que ele encontrava pelos becos e bares da Cidade, contando histórias, registrando acontecimentos, ocorrências literárias da província, as primeiras descobertas da noite, a boemia entre amigos, recados para Maria Emília nas entrelinhas de suas anotações ou nos versos que publicava.

Sexta-feira outra, uma noite na casa de Leda e Luís Carlos Guimarães, seus velhos amigos e companheiros, bebíamos vinhos e falávamos sobre os bons amigos. Luís Carlos era outro encantado com a prosa de Berilo. Este mesmo tema ocupou um bom pedaço de tempo de uma conversa que tive com Zila Mamede, na Fundação José Augusto. Berilo tinha que publicar o seu livro de crônicas. Difícil era convencê-lo, passar pelo seu despojamento, um pessoa sem vaidades. Berilo não pensava em publicar livro nenhum. Mas nós iríamos topar a empreitada.

Quinta-feira conversamos pela última vez, aqui mesmo na redação, no começo da tarde. Veio trazer a “Revista da Cidade” de domingo, pois o Segundo Caderno dessa edição era fechado na sexta. Demorava pouco, entregava a matéria e se perdia num dedo de prosa com os colegas: literatura, cinema, música popular brasileira, vinhos. Era o que gostava de conversar. Quando não, quedava-se em ouvir e sempre o fazia assobiando um chorinho, um samba, qualquer outra música que apreciava. Na nossa conversa derradeira da quinta-feira folheamos juntos o último livro de Hélio Galvão e ele, que não era muito de elogiar, não deixou de admirar a profundidade o valor da obra. E discretamente como entrou, deixou a redação como um até logo.

Éramos amigos há 26 anos. Conheci-o em rodas de poetas e boêmios na calçada da Sorveteria Cruzeiro. Berilo se destacava do grupo e chamava a atenção de todos não somente pela inquietude e a ironia fina, mas também porque gostava de usar uma varinha de bambu como se fora um marechal de campo. Mas a nossa amizade se firmou mesmo quando fomos convocados para servir no Exército. Decididamente foi o soldado mais desengonçado que passou pelo 16º. Regimento de Infantaria. O grupo está todo aí: Márcio Marinho, Varela Barca, Tota Zerôncio, Daniel Diniz, José Erb Ubarana, José Mesquita Filho, Aildo Gibson, Walderedo Nunes. Dos que me lembro agora enquanto tento, Deus sabe como, escrever essas coisas. Éramos os responsáveis pelo máquina burocrática do Regimento. O poeta exatamente, imagine, o encarregado do serviço do protocolo.

Depois foi a fase da Faculdade de Direito. Fazíamos um jornalzinho “subversivo”, acho que a primeira experiência de imprensa alternativa. “O Porrete” era o nome do jornal, todo mimeografado e que nos dias mais incertos e inesperados aparecia causando furor nas salas de aulas do velho casarão da Praça Augusto Severo, onde hoje, veja só, funciona a Secretaria de Segurança. Foi por esse tempo, me parece que em 1956, que o poeta publicou o seu primeiro livro, Telhado do Sonho.

O poeta navegava no seu lirismo. Tinha 22 anos de idade. Foi o único livro que publicou. Depois, o jornalismo foi consumindo o poeta. Nascia o excelente cronista, o crítico literário, o crítico de cinema, dividindo o tempo com uma promotoria pública e uma boemia que sempre o acompanhou. Esteve na Europa fazendo um curso no Instituto de Cultura Hispânica. Entre outras coisas, voltou doutor em vinhos, doutoramento que o levava quase religiosamente ao generoso balcão do bar de Nemésio, o espanhol. Também andou por terras de São Paulo e Rio de Janeiro, fazendo jornalismo. Mas o apelo da terrinha foi mais forte. Veio e retornou ao jornalismo diário e ao ensino.

Fui reencontrá-lo na Fundação José Augusto, ensinando no Faculdade de Jornalismo Eloi de Souza. Depois na UFRN para onde fomos juntos com o curso. Quando assumi pela terceira vez editoria de Tribuna do Norte, nesta atual fase, fui buscá-lo na A República para assinar a sua “Revista da Cidade” em nosso Segundo Caderno.

Nos últimos anos, conversávamos praticamente todos os dias. Ou aqui na redação ou pelas alamedas e salas de aula do Campus ou nas casas dos amigos comuns. Fora do trabalho, nos encontros sociais ou nos desencontros dos restaurantes e bares da Cidade, ele sempre ao lado de Maria Emília, sua mulher, companheira, amiga, um namoro do qual sou testemunha de seu nascimento. Trocávamos livros sobre os quais fazíamos comentários e tínhamos o mesmo gosto pelos bares quase vazios e uma queda para apontar o ridículo da província.

Berilo Wanderley morreu aos 45 anos de idade. Deixa Maria Emilia, sua mulher, quatro filhos menores, sua mãe, Dona Maria Amélia, o irmão Gilberto. Deixa uma saudade enorme nos amigos, companheiros e uma legião de admiradores. Deixa uma enorme vazio nesta Cidade, hoje muito mais carente de valores humanos. Berilo morreu dormindo. O seu coração parou no alvorecer de Natal. Neste instante da tragicidade da vida, caberia aqui cantar um verso de um de seus poemas: “Passa o alento, passa o vento, já não sou”.

Woden Madruga